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ALTO RISCO

Variante Delta: sem controles, país é vulnerável a nova cepa

Publicado em: 04/07/2021 13:35

 (Foto: Diego Ramos / AFP)
Foto: Diego Ramos / AFP
Já presente em 98 países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante Delta, primeiramente detectada na Índia, tem imposto a necessidade da adoção de medidas mais duras para conter o espalhamento da nova cepa, mesmo em países que estão avançados na vacinação contra a covid-19. No Brasil, a preocupação de especialistas se torna ainda maior, visto que somente 27,2 milhões de pessoas estão totalmente vacinadas com as duas doses ou com a vacina da Janssen de dose única, e a transmissão do vírus no país ainda é alta. A maior preocupação é de que a variante Delta repita o histórico da Gamma, identificada em Manaus, conhecida também como P.1, que se espalhou rapidamente por todo o país.

“Dada a circulação generalizada e a não adoção de mais nenhuma medida de contenção por parte dos governos estaduais, corremos risco de uma nova variante emergir, tão ou mais preocupante que a P1”, alerta Camila Malta Romano, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical e do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Na contramão da necessidade, o que se observa é um país com medidas cada vez mais frouxas, apostando no ritmo de vacinação, ainda aquém da necessidade para interromper o ciclo de transmissão.

O cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt, reitera a preocupação da pesquisadora. “Se acontecer um estouro da Delta, infelizmente, a gente vai ver o que já vimos com a Gamma. Primeiro, vimos as pessoas piorando, os números crescendo e, depois, confirmamos que era a Gamma”, indicou. Ele se preocupa com a taxa de transmissão comunitária do país, que permanece alta.

Por isso, a forma de evitar novas variantes é uma velha medida conhecida e recomendada pelos especialistas desde o início da pandemia. O foco deve ser no controle da disseminação, além da vacinação. É o que explica o gestor de saúde Adriano Massuda, especialista da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Vírus são micro-organismos que se reproduzem com muita velocidade e, por isso, são mais suscetíveis a sofrerem mutações em seu material genético. Dentre elas, podem surgir aquelas mais patogênicas, mais transmissíveis e até mais letais.”

Enquanto há escassez de vacina, o ciclo de infecção deve ser interrompido à base de “políticas de saúde pública voltadas para a identificação precoce dos casos, seguimento dos contatos e isolamento dessas pessoas no período em que estão em fase de transmissão”, destaca Massuda. Isaac reforça que o país tem uma testagem reativa, na qual só as pessoas com sintomas buscam ser testadas, e o número de infecções é subnotificado. “A gente sabe que tem muito mais pessoas infectadas do que diz aquele número oficial”, afirma.

Testagem

A proposta de testagem em massa em níveis significativos por parte do Ministério da Saúde foi interrompida na gestão de Luiz Henrique Mandetta e não mais colocada em prática de forma compatível com as necessidades de uma nação de dimensões continentais. O resultado é um país considerado celeiro de novas variantes para o mundo. “Diferentemente do Brasil, vimos países que conseguiram controlar a pandemia, mesmo com baixa cobertura vacinal, com essas medidas”, diz Massuda.

Um ano e meio após o início da pandemia, e com 500 mil mortos pela covid-19, o Ministério da Saúde resolveu apostar no controle da disseminação via testagem e, no fim de maio, apresentou um programa sugerindo 20 milhões de testes por mês, com busca ativa, identificação de contactantes e monitoramento das redes de transmissão identificadas. “Todos sabemos que a contenção da pandemia — por meio da vacinação em massa, da vigilância ativa para detectar rapidamente possíveis novas variantes, e das medidas de higiene e saúde pública — é imprescindível para a retomada da economia global”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no Fórum de Investimento Brasil 2021.

O fato é que o Brasil não chegou perto de controlar a pandemia, mas retoma as atividades cada dia mais rápido. As tentativas de barrar a disseminação da variante indiana mostram-se frustradas, já que 11 casos da Delta foram identificados em cinco estados, até o momento. Em Goiás, na capital, por exemplo, a Secretaria de Saúde chegou a informar que havia detectado a transmissão comunitária da nova cepa, mas esta semana voltou atrás e disse que foi um erro.

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