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Pai e filho donos de loja em Belo Horizonte são investigados por abusos sexuais

Publicado em: 11/06/2021 16:16

 (Donos de loja de bijuterias no Centro da capital abusavam das funcionárias dentro do estabelecimento. Seis mulheres já denunciaram. Foto: Polícia Civil/Divulgação
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Donos de loja de bijuterias no Centro da capital abusavam das funcionárias dentro do estabelecimento. Seis mulheres já denunciaram. Foto: Polícia Civil/Divulgação
Um homem de 68 anos e o filho dele, de 44, são investigados pela Polícia Civil por crimes sexuais. Os crimes ocorriam dentro da loja de bijuterias e acessórios que eles mantém há 19 anos no Centro de Belo Horizonte. O filho foi preso ontem (10). O pai, que é suspeito de estupro, está foragido. O caso foi detalhado pela polícia em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (11). 

“Os proprietários usando a condição de superiores abusavam e assediavam as funcionárias. São vários anos de abuso, mas com medo de perder emprego não denunciavam”, conta a delegada Cristiana Angelini. 

As investigações começaram em abril, quando uma das mulheres decidiu procurar a Polícia Civil para contar que havia sido atacada pelo homem mais velho em um ponto da loja que não é vigiado pelas câmeras do circuito interno. “Atraiu essa funcionária para esse local e, sem o consentimento dela, segurou pelos braços e beijou os seios dela. Ela ficou muito constrangida, mas continuou trabalhando porque não tinha outro meio para se sustentar. Mas, conversando com outas pessoas e familiares, foi encorajada e disseram que não poderia continuar trabalhando lá sofrendo esse assédio”, disse a delegada. 

Ao apresentar o caso à delegacia, a vítima recebeu o apoio de uma equipe multidisciplinar para que conseguisse relatar os abusos às autoridades policiais de uma forma mais confortável. Conforme a delegada Cristiana, essa vítima apresentou testemunhas e outras mulheres que haviam sido abusadas. 

Ao todo, seis mulheres compareceram à delegacia, mas duas resolveram permanecer anônimas. Sobre essas últimas, a delegada explicou que elas reportaram os abusos, mas não quiseram formalizar para que seus nomes não constassem no inquérito. 

“Isso tem tudo a ver com a cultura de culpabilização da vítima. Essas vítimas não querem se identificar perante a Justiça por vários fatores, principalmente culturais, porque acreditam que serão julgadas, serão questionadas de por que ‘aceitaram’ ter passado por isso. É uma cultura que ainda culpa a mulher por ter sido vítima desse crime”, destacou a delegada Luísa Drummond, da Divisão Especializada em Atendimento à Mulher, ao Idoso e à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerância (Demid), também presente na coletiva. 

Durante as buscas por elementos que comprovassem a conduta do empresário de 68 anos, uma das vítimas esteve na delegacia e contou ter sido abusada pelo filho dele. A partir daí, outras mulheres que foram abusadas pelo homem de 44 anos foram surgindo. 

As vítimas relataram que eram levadas para o estoque, onde o homem fazia brincadeiras de cunho sexual, que elas não aceitavam. “Cantada é diferente de assédio. Cantada é quando a vítima aceita, há uma troca, e é bem diferente do assédio. No assédio a vítima não quer, na importunação sexual a vítima não permite. Elas estavam trabalhando, ganhando o pão de cada dia, iam até o estoque e esses suspeitos pegavam nas partes íntimas delas, faziam ‘brincadeiras’”, conta Cristiana Angelini. As mulheres disseram que o homem mais novo costumava dizer que ia alongar as costas dela para tocar as mulheres com as partes íntimas dele. 

Prisão
Na quinta-feira, a Polícia Civil esteve na loja cumprindo mandados de busca e apreensão para pegar as imagens das câmeras e equipamentos eletrônicos. Na ocasião, o homem de 44 anos foi preso preventivamente. “Ele nega, fala que (a denúncia) é por questão de demissão e aí elas estão se voltando contra ele. É a clássica defesa”, explicou a delegada. 

O pai dele é investigado por estupro contra a primeira vítima. A pena para esse crime é de seis a 10 anos de prisão. Já no caso do filho, trata-se de crime de importunação sexual, cuja pena é de um a cinco anos de reclusão. 

Proteção à mulheres
Cristiana Angelini relata que todas as vítimas que fizeram as denúncias estão assustadas e temem ser expostas. Ela reforça que as mulheres só continuaram trabalhando na loja por falta de opção.  

“(Os suspeitos) São pessoas consolidadas no ramo, influentes no meio de trabalho deles. Elas têm medo de ficar sem renda e não conseguir outro tipo de trabalho no ramo. Ano passado, que foi de pandemia, várias sofreram assédio e não quiseram denunciar porque não teriam perspectiva de trabalho e, por esse motivo, permaneceram sofrendo os assédios, até que a (primeira) vítima, não aguentando mais a situação, procurou a delegacia e conseguimos levantar as informações”, comentou.

A delegada Luísa Drummond destacou a importância do apoio às vítimas, principalmente vindo de outras mulheres. “Num universo machista, em que a voz da mulher no ambiente público é oprimida e, muitas vezes, tem menos valor que a voz masculina, é mostrar que mesmo nesses crimes que tendem a acontecer na ausência de testemunhas, que a voz delas tem valor e será ouvida. Nós, mulheres unidas, conseguimos nos proteger”, enfatizou. 

O resultado das investigações será encaminhado à Justiça. As delegadas não descartam que outras vítimas possam aparecer. 
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