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PANDEMIA

Rio pode avançar no calendário de vacinação se receber mais doses hoje

Publicado em: 23/04/2021 15:02

 (Expectativa é ter de 150 mil a 154 mil doses a mais nesta sexta-feira. Foto: Cremerj/Divulgação)
Expectativa é ter de 150 mil a 154 mil doses a mais nesta sexta-feira. Foto: Cremerj/Divulgação
A prefeitura do Rio de Janeiro preparou um calendário de vacinação, com início na segunda-feira (26), mas ainda não tem doses suficientes para continuar com a imunização. Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a expectativa é receber, ainda nesta sexta-feira, de 150 mil a 154 mil doses do Ministério da Saúde. Se isso ocorrer, a semana que vem começará com a vacinação de pessoas da lista de prioridades definida pelo ministério, entre as quais, aquelas que têm deficiência física, auditiva, intelectual, psicossocial (mental), múltipla e de transtorno com espectro autista.

Todas essas pessoas têm que apresentar laudo médico, cartões de gratuidade no transporte público, receituário, ou outro documento que comprove a condição. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) combinou a lista de prioridades com faixas etárias e, com isso, na segunda-feira, começam a ser vacinadas pessoas com 59 anos.

Na lista das categorias essenciais que serão vacinadas na nova etapa, também estão incluídos os rodoviários. O secretário destacou a importância de inclusão das grávidas com comorbidades na ordem de vacinação, mas disse que é uma decisão que cabe à gestante e a seu médico. Segundo Soranz, as gestantes que não têm comorbidades,devem tomar apenas a vacina da gripe. Ele explicou que, se houve alguma mudança no quadro da gestante e ela tomou a vacina contra a gripe, é preciso esperar 15 dias para tomar a vacina contra a Covid-19. "No caso das gestantes, a gente só aceita vacinação com recomendação médica”, disse Soranz, ao apresentar o 16º Boletim Epidemiológico.

Postos
O número de postos de vacinação disponibilizados pela prefeitura aumenta a cada dia. Para auxiliar na imunização, agora, serão incluídos a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e o Instituto Benjamin Constant.

Daniel Soranz reafirmou que a estratégia da prefeitura do Rio é avançar o máximo na vacinação e que, por isso, a secretaria trabalha sempre no limite das doses recebidas. De acordo com o secretário, as vacinas para a segunda dose estão garantidas. Ele acrescentou que, toda vez que ocorre atraso na entrega dos imunizantes, o calendário sofre alterações, ou é interrompido.

Idosos
Neste sábado (24), deve ser concluída a vacinação de idosos com 60 anos de idade ou mais. O foco na faixa dos 60 foi determinado após a constatação de que essas pessoas estão entre as que mais se internam e mais têm probabilidade de morrer de Covid-19.

Conforme dados da SMS, quase a totalidade dos idosos já foram vacinados. “Praticamente, vamos chegar muito próximo de 100% dos idosos com mais de 60 anos vacinados com a primeira dose. Vai ficar faltando ainda a segunda dose, mas é um marco importante. É uma das capitais que mais avançaram na vacinação de idosos”, disse o superintendente de Vigilância em Saúde da SMS, Márcio Garcia.

Os números atualizados hoje pelo boletim epidemiológico indicam que já receberam a primeira dose da vacina na cidade 1.333.223 pessoas, o que corresponde a 19,8% da população. O percentual de idosos alcançou 91,2%. Com a segunda dose, há 402.324 vacinados, O total dos que receberam as duas doses está em 1.735.547 pessoas.

Soranz ressaltou a importância da imunização dos idosos e informou que a prefeitura começa agora uma cruzada para identificar quem desta parcela da população ainda não se vacinou, incluindo os acamados. Segundo o secretário, nenhum idoso pode ficar sem vacina.

A identificação dessas pessoas será feita em todas as unidades municipais de saúde e, além do cruzamento de dados, incluirá agentes comunitários, médicos e profissionais das equipes de saúde da família na intensificação do trabalho de busca ativa. “A partir de agora, qualquer idoso pode se vacinar em qualquer unidade de saúde, a qualquer momento. Essa população é prioritária."

Longa permanência
A vacinação dos residentes em instituições de longa permanência, ou abrigos de idosos, que foi feita logo no início em janeiro, pode ser uma explicação para a queda no número de casos de Covid-19 nesses locais. “Se se contar a primeira dose, a segunda dose, um mês depois, e mais 15 dias para atingir a proteção dada pela vacina, esse grupo que se vacinou no fim de janeiro já está imunizado, e o que se vê é que praticamente hoje não tem nenhum surto nessas instituições”, observou Garcia. Ele destacou que nenhum surto foi registrado em abril. “[Isso] mostra mais uma vez que a vacina é eficaz. Ela é segura e a melhor medida de prevenção e proteção que temos em relação à Covid-19.” Para se considerar que houve um surto relacionado à Covid-19, é preciso ter a ocorrência de três casos ou mais.

Mais uma vez, o prefeito Eduardo Paes não participou da apresentação do boletim epidemiológico. Paes foi diagnosticado com Covid-19 na quinta-feira (15) e permanece em isolamento em casa. logo no início da apresentação do boletim, o secretário de Fazenda, Pedro Paulo, informou que o prefeito passa bem e continua sendo monitorado pela equipe médica.

Neste ano, o município do Rio de Janeiro teve 56.230 diagnósticos confirmados de Covid-19, dos quais 13.688 eram casos graves. Houve 4.807 óbitos, a incidência é de 844,1 casos para cada 100 mil habitantes, a taxa de letalidade, de 8,5%, e a de mortalidade, de 72,2 óbitos para cada 100 mil habitantes.

Segundo Márcio Garcia, os atendimentos nos centros de urgência e emergência da rede municipal vêm caindo nos últimos dias. Foi a alta neste indicador, em fevereiro, que acendeu o alerta na prefeitura e determinou o anúncio de medidas restritivas que incluíram até a parada emergencial de 10 dias, composta inclusive com o adiantamento e criação de feriados.

"O que temos visto nas últimas semanas é uma inversão na curva, com tendência de redução nesses atendimentos." De acordo com Garcia, a observação continua, para ver se a curva continua caindo, ou se estabiliza. "É um monitoramento que a gente faz, dia a dia aqui, no nosso Centro de Operações de Emergência para a Covid”, disse Garcia. Ele destacou que o número de casos confirmados da doença tem acompanhado o movimento notado na curva de atendimentos de urgência e emergência, com redução nos últimos dias.

Garcia destacou que a cronologia da curva de óbitos é mais lenta e eles não aparecem no mesmo tempo em que são registrados os atendimentos nas urgências e emergências. O superintendente de Vigilância em Saúde afirmou que, quando ocorre o óbito por Covid-19, em média, isso se dá 20 dias após o início dos sintomas. “Na curva de óbitos, ainda se vê tendência de aumento, mas esperamos que, assim como na curva de casos, que já entrou em declínio, ela siga o mesmo sentido e, depois da subida, comece a cair.”

Soranz destacou que houve avanço na metodologia de análise dos óbitos e menos atraso na entrada dessas informações no sistema de acompanhamento. “Conseguimos agora, praticamente em tempo real, informar o registro do óbito com atraso de poucos dias, igualando a notificação dos casos praticamente com a data da divulgação, o que torna o dado muito mais oportuno para que possa ser usado de maneira muito melhor”, afirmou.

O secretário de Fazenda, Pedro Paulo, informou que agora o prazo para os dados de óbitos é de cinco dias. “Em cinco dias, nós já temos o dado atualizado , o que dá muito mais precisão no número de óbitos na cidade. Esses números estão muito mais bem apurados e transparentes”, afirmou.
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