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Covid-19: Saiba qual é o caminho até a aplicação da vacina na população

Publicado em: 09/01/2021 09:43

 (Foto: Joseph Prezioso / AFP)
Foto: Joseph Prezioso / AFP
Os resultados da vacina produzida pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) chegaram e, com eles, muitas dúvidas. A novidade de ontem foi a solicitação, de ambas as instituições, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para o uso emergencial dos dois imunizantes no país. Mas, o que acontece agora?

O Butantan, ligado ao governo do estado de São Paulo, apresentou, na última quinta-feira, os resultados de eficácia da vacina produzida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. A CoronaVac apresenta eficácia de 100% para casos graves da Covid-19 e 78% para os leves. Já a vacina produzida pela Fiocruz, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, tem 73% de cobertura, mas em uma única dose.

Após apresentar os resultados e testes de eficácia feitos no Brasil, agora, cabe à Anvisa analisar os pedidos para uso emergencial. A avaliação — que leva em consideração a qualidade, as boas práticas de fabricação, as estratégias de monitoramento e controle, além dos resultados vistos nos testes clínicos — tem um prazo de 10 dias para ser feita.

“As primeiras 24h serão utilizadas para fazer uma triagem do processo e checar se os documentos necessários estão disponíveis. Se houver informação importante faltando, a Anvisa pode solicitar dados adicionais ao laboratório. Para fazer sua avaliação, a Anvisa vai utilizar as informações apresentadas com o pedido e também as informações já analisadas por meio da Submissão Contínua”, disse a agência, em nota enviada ao Correio. A autarquia também esclareceu que, caso peça novos documentos aos laboratórios, o prazo de 10 dias corridos não cobre o tempo de envio da solicitação.

Grupos prioritários
A vacinação em uso emergencial é submetida aos grupos de riscos, verificados no Plano de Imunização Nacional, e apenas para a população testada pelos laboratórios. Seguindo isso, a primeira fase imunizará trabalhadores de saúde, pessoas com 75 anos ou mais e idosos em instituições de longa permanência, como asilos, além dos povos indígenas. A segunda fase atenderá pessoas com idade entre 60 e 74 anos. Durante a terceira fase, serão atendidas aqueles com condições médicas que favorecem ao agravamento do quadro a partir da infecção pela Covid-19. Na última fase, serão vacinados professores, forças de segurança, trabalhadores do sistema prisional e população carcerária.

Para a vacinação em uso emergencial, a Fiocruz informou ao Correio que está seguindo todos os passos que estavam previstos no cronograma. Para isso, serão utilizadas 2 milhões de doses importadas prontas da Índia, que também produz o imunizante por meio do Instituto Serum. De acordo com a entidade de pesquisa, a única coisa que eles farão, inicialmente, é “rotular as vacinas”. Ainda não há prazo para a chegada dessas doses, mas a expectativa é de que “seja para ainda este mês, seguindo o cronograma que estipulamos ano passado”, informou a Fiocruz.

A AstraZeneca, que fabrica a vacina reproduzida pela fundação, no Rio de Janeiro, recomenda um regime de duas aplicações, considerando um intervalo de 4 e 12 semanas após a primeira dose. No entanto, a quantidade a ser adotada é uma decisão do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, do Ministério da Saúde.

Com as vacinas no país, e com a aprovação da Anvisa, cabe ao Ministério da Saúde planejar a campanha de imunização para receber todos aqueles que integram os grupos habilitados para receber a dose inicial, o que, de acordo com o epidemiologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, “tem condições de acontecer de forma satisfatória, pois o Brasil é um grande exemplo em campanhas de vacinação”.
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