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Notícia de Brasil

INCÊNDIO

Fogo ameaça destruir patrimônio cultural no Piauí

Publicado em: 07/10/2020 07:53

 (Foto: André Pessoa / Divulgação)
Foto: André Pessoa / Divulgação
Enquanto o ciclo desastroso de seca, calor e fogo não é quebrado, seja pela chegada das chuvas ou pela ação de combate das forças humanas, o Brasil perde, a cada dia que passa, mais um pedaço de seus pulmões: as matas brasileiras que acolhem uma rica biodiversidade. Agora, além da Amazônia, Pantanal e cerrado, a caatinga entra para o rol de biomas ameaçados pelas chamas neste ano. Isso porque um incêndio de grandes proporções no Piauí está a poucos quilômetros de atingir o Parque Nacional da Serra da Capivara, área que é patrimônio cultural da humanidade.

Há dois meses não chove na região. Uma força-tarefa envolvendo 24 brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) trabalha para que o fogo não chegue ao parque, que guarda sítios arqueológicos com os primeiros vestígios do homem nas Américas. O fogo causou medo e apreensão nos moradores da região, pois queimou exatamente um trecho de mata de caatinga conservada entre os assentamentos rurais da Serra dos Gringos e do Novo Zabelê, onde vivem centenas de famílias, com muitas crianças e idosos. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 6.271 focos de incêndio na caatinga, neste ano, 44,5% aconteceram no Piauí (2.790).

Em meio ao fogo no Piauí, o ICMBio deslocou 14 brigadistas da região para combater as chamas na Amazônia. A estratégia deixou especialistas preocupados. Para a presidente da Rede Ambiental do Piauí (Reapi), Tânia Martins, a ação de deslocar profissionais locais capacitados para combater incêndios pode gerar ainda mais deficit na capacidade do estado de reagir às queimadas. “Enquanto isso, o Piauí está se desmanchando em fogo. É muita incoerência, não temos bombeiros em 221 municípios do estado. Nas imediações de Picos é fogo, fogo, fogo”, destaca a ambientalista.

É a Amazônia, por outro lado, que tem a área mais afetada por queimadas em 2020. Até ontem, o Inpe registrou 80.221 incêndios na região. Além de favorecer as queimadas, a falta de chuva pode transformar 40% da Floresta Amazônica em savana antes do fim do século, segundo o estudo do Stockholm Resilience Centre, publicado na Nature Communications.

No cerrado, bioma castigado todos os anos pelas queimadas, o desafio é de conter o fogo também não para. Iniciado ainda em setembro, o incêndio que toma conta do Parque Nacional da Serra do Cipó, unidade de conservação localizada em Minas Gerais, chegou ao décimo dia ontem. O desafio consiste em eliminar as chamas na região conhecida como Alto Palácio, de difícil acesso. Já na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a queimada que se estende por uma semana já começa a ser considerada controlada. No entanto, destruiu mais de 60 mil hectares de cerrado. No bioma, foram registrados pelo Inpe 53.134 focos de incêndio este ano.

O fato é que os incêndios florestais no Brasil aumentaram de forma significativa e trágica em 2020. Desde 1º de janeiro, o Inpe registrou 175.671 queimadas no país, maior notificação para o período desde 2010, um crescimento de 18% em comparação a todo o acumulado do ano passado.

No Pantanal, áreas onde o incêndio já havia sido combatido voltaram a queimar, obrigando socorristas a continuarem os esforços sem interrupção. Mesmo antes de terminar o ano, 2020 já registra recorde histórico de focos de incêndio no Pantanal. Até ontem foram registrados pelo Inpe 19.215 focos no bioma, sendo que quase 13 mil destes estavam no nível crítico.

Em chamas
Focos de incêndio por bioma

Amazônia 80.221
Cerrado 53.134
Pantanal 19.215
Mata Atlântica 15.295
Pampa 1.535
Caatinga 6.271
Total 175.671

Fonte: Inpe
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