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Azitromicina não traz benefícios na recuperação de pacientes com covid-19 em estado grave, diz estudo brasileiro

Publicado em: 05/09/2020 09:28 | Atualizado em: 05/09/2020 10:33

 (Foto: Agência Brasil )
Foto: Agência Brasil
Um novo estudo brasileiro do grupo Coalizão Covid-19 Brasil concluiu que o antibiótico azitromicina não traz benefícios na recuperação pacientes adultos hospitalizados com formas graves de covid-19. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet nessa sexta-feira. Segundo o estudo, não houve diferença na recuperação dos pacientes que receberam o antibiótico e outros que não receberam.


Este é o primeiro estudo randomizado do mundo para testar os efeitos da azitromicina em pacientes de covid-19 em estado grave. Segundo a coordenadora do Comitê Científico da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), uma das instituições que fazem parte do grupo Coalizão Covid-19 Brasil, Flávia Machado, a azitromicina é um antibiótico que é usado no tratamento de pneumonia bacteriana, mas nunca havia sido testado efetivamente contra o vírus da covid-19.

“Da mesma forma da hidroxicloroquina, a azitromicina tem sido muito usada por médicos para tratar covid sem nenhuma evidência de real benefício. Então, a importância do estudo vêm exatamente do fato da gente estar agora mostrando cientificamente que ela não tem a eficácia. É lógico que a gente gostaria de mostrar o contrário, gostaria de encontrar uma solução, algo que ajudasse, mas também não adianta a gente se iludir e continuar usando medicações que não tem efeito”, declarou em entrevista ao Correio.

Ao todo, 397 pacientes infectados pelo novo coronavírus serviram de base para a análise principal pesquisa.Todos eram portadores de fatores de risco para agravamento da doença e cerca de 50% dos pacientes incluídos nesta pesquisa estavam em ventilação mecânica quando o estudo começou. Por meio de um sorteio, 214 pacientes receberam azitromicina mais o tratamento padrão e 183 receberam tratamento padrão sem azitromicina.

A avaliação, feita 15 dias após o início dos tratamentos, mostrou que não houve diferença não houve diferença significativa na mortalidade e no tempo médio de internação entre os dois grupos. De forma prática, os médicos ganham uma evidência científica para poder interromper o uso da azitromicina no tratamento desses pacientes.


 “Lembrando que o nosso estudo se refere apenas a pacientes com covid-19 moderada ou grave, ou seja, aqueles que estão utilizando oxigênio em maior quantidade, usando algum tipo de suporte ventilatório, ou estão em ventilação mecânica”, explicou. Uma nota informativa do Ministério da Saúde, por exemplo, recomenda o uso do antibiótico junto com a hidroxicloroquina em pacientes adultos com sinais e sintomas leves da doença.

Flávia, que também é professora de medicina intensiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que seria necessário realizar outro estudo para comprovar ou descartar a eficácia do medicamento no caso de pacientes com a forma mais leve da doença.

 “Cientificamente não podemos transpor essa evidência para outro tipo de paciente. Seria necessário fazer um estudo para avaliar especificamente na população de pacientes leve se a azitromicina teria efeito ou não. Entretanto, o que nós sabemos é que normalmente se você não tem efeito em um doente mais grave é pouco provável que isso aconteça no paciente com a infecção mais leve”, esclarece.
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