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SEMIÁRIDO

Pesquisa desenvolve cultivar que combate principal doença da goiabeira

Publicado: 27/02/2023 às 22:30

/Foto: Francisco Evangelista/Embrapa

(Foto: Francisco Evangelista/Embrapa)

Após dez anos de pesquisa, a Embrapa Semiárido (PE) anunciou o desenvolvimento do porta-enxerto BRS Guaraçá, primeira cultivar resistente ao nematoide-das-galhas (Meloidogyne enterolobii), principal patógeno da goiabeira no Brasil. A tecnologia, já disponível aos produtores, auxilia na manutenção da produção de goiaba no país, fruta que aparece no 11ª lugar no ranking de importância econômica do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pernambuco é o maior produtor de goiaba do país, conforme o mais recente levantamento de produção do setor, feito em 2019. Em seguida aparecem o São Paulo, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Ceará, respectivamente. O porta-enxerto, desenvolvido por meio do trabalho de cruzamento de plantas e melhoramento genético, possui alta resistência ao nematoide-das-galhas e compatibilidade com grande parte das variedades comerciais de goiabeira, tais como a Paluma, Suprema, Pedro Sato, Rica, Século XXI e as do grupo Cortibel.

Os resultados em campo apontaram que a tecnologia apresenta um bom pegamento do enxerto e desenvolvimento de copa, além de produção em torno de 40 toneladas de frutas por hectare, em colheitas realizadas 30 meses após o transplantio, explicou Carlos Antonio Fernandes, pesquisador da Embrapa. Com ele, é possível realizar o manejo da produção em áreas até então infestadas pelo nematoide, viabilizando novamente a exploração da cultura nesses locais.

A difusão da tecnologia junto aos produtores pode ajudar o Brasil a retornar a condição de grande produtor mundial de goiaba, contornando o impacto que o nematoide-das-galhas causou à produção nacional da fruta.

De acordo com a Embrapa, os primeiros cultivos comerciais no país tiveram início na década 70, com forte crescimento ao longo dos anos. Em 2002, no entanto, foi registrada uma grande queda produtiva, momento que coincide com o primeiro relato da presença do nematoide-das-galhas em goiabeiras irrigadas nos estados de Pernambuco e da Bahia. Nos anos subsequentes, o nematoide foi detectado em outros 18 estados, tornando-se um dos principais desafios da cultura no Brasil.

Responsável por prejuízos superiores a R$ 400 milhões nos últimos anos, o nematoide é amplamente disseminado em território nacional, sendo registrado atualmente em todos os estados onde se produz goiaba. No exterior, existem relatos na Índia e no México.

Vale do São Francisco
A tecnologia do porta-enxerto é decisiva para o Vale do São Francisco, segundo Haroldo de Carvalho Neves, proprietário do viveiro São Francisco Mudas, em Petrolina, porque a região “tem solos predominantemente arenosos, onde os nematoides chegam muito precocemente e degradam com rapidez.”

O viveiro começou a comercializar o BRS Guaraçá no final de 2021, momento em que as plantas matrizes foram adquiridas da Embrapa. Em 2022, foram disponibilizadas 28 mil mudas aos produtores e para 2023, a expectativa é chegar a 80 mil mudas comercializadas.

“O BRS Guaraçá deu um incremento muito grande ao desenvolvimento da produção aqui no Vale. Já existe bastante demanda, o pessoal vem conhecendo o porta-enxerto e a tendência é de crescimento, inclusive, já estamos enviando mudas enxertadas para outros estados por transporte aéreo”, revela o viveirista.

“Quando infecta as raízes da goiabeira, o nematoide injeta substâncias tóxicas ao mesmo tempo em que suga nutrientes da seiva. Ele passa a ser um concorrente da planta no seu processo de produção de frutos”, explica José Mauro da Cunha e Castro, pesquisador da Embrapa Semiárido.

Além disso a infecção das raízes abre porta para a entrada de outros patógenos. Dessa forma, o porta-enxerto auxilia na recuperação das plantas e do cultivo no Brasil. Atualmente ele se apresenta como a única opção viável para o controle da infecção em goiabeira no Brasil já que os métodos de controle biológico, manejo integrado e aplicação de inseticidas possuem resultados limitados ou ineficientes para controle desse patógeno. (Diario de Pernambuco com Agência Embrapa)
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