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ESTUDO

Nova metodologia para analisar divergência genética da cana-de-açúcar

Publicado em: 22/11/2021 08:02 | Atualizado em: 19/11/2021 14:48

Expectativa é obter o maior número de genótipos e aumentar a produtividade dos canaviais (Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa)
Expectativa é obter o maior número de genótipos e aumentar a produtividade dos canaviais (Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa)

É comum ouvirmos que um tipo de plantação é apropriado a se desenvolver em um solo ou clima específico ou até mesmo em determinada região do país, já que o Brasil é continental e tem diversas variações em seu território. A divergência genética entre espécies também é um dos fatores que limitam o desenvolvimento agroindustrial. Levando em consideração essas questões, uma nova metodologia foi criada com o objetivo de analisar a divergência genética da cana de açúcar e buscar genótipos com grande potencial de adaptabilidade e estabilidade. A ideia é elevar a produtividade dos canaviais. 

O professor João Dutra Filho, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas no Centro Acadêmico de Vitória da Universidade Federal de Pernambuco (CAV/UFPE), decidiu fazer o estudo baseado nesses aspectos peculiares. "Fiz esse estudo diante da necessidade de obter novas variedades de cana-de-açúcar com elevado potencial de adaptabilidade e estabilidade, ou seja, que apresentem elevada produtividade nos mais diversos ambientes e tipos de solo. Variedade assim é difícil obter", explicou.

De acordo com o professor, esse estudo é mais uma proposta do que uma metodologia porque ele usa metodologias já existentes. "Utilizamos metodologias como a de modelos lineares mistos, por através dela obtermos valores genéticos de produtividade de cana e de açúcar por hectare. O que fizemos na prática foi usar esses valores genético de adaptabilidade e estabilidade na análise da divergência genética, visando obter novas variedades com elevado potencial de adaptabilidade e estabilidade. Os revisores da Plos One, que é uma revista conceituada internacionalmente, acharam a ideia criativa e original", afirmou. 

João Dutra filho ainda explicou que, normalmente, as de divergência genética são feitas com base em valores fenotípicos de produtividade e outros caracteres. "Isto significa que a influência do ambiente se faz presente e pode causar confundimento nas análises, ou seja, você pode realizar o cruzamento entre indivíduos que são distantes geneticamente simplesmente por influência do ambiente ne expressão da característica. A divergência genética com base em valores genéticos pode-se visualizar quem realmente são os mais distantes geneticamente", ressaltou. 

Como funciona o estudo

O estudo “Genetic divergence for adaptability and stability in sugarcane: Proposal for a more accurate evaluation” foi publicado na Plos One e ele avalia a cana-de-açúcar aos 16 meses, na hora da colheita, levando em consideração características de toneladas por hectare, toneladas de açúcar produzidas por hectare e ainda o percentual de sacarose no caldo. A análise é feita de forma livre da ação externa do ambiente. O resultado do estudo chegará a longo prazo.

"Vamos implantar a metodologia e observar a produtividade dos novos genótipos nos mais diversos ambientes. Esperamos obter maior número de genótipos com elevado potencial de adaptabilidade e estabilidade, aumentando a produtividade dos canaviais", pontuou o professor João Dutra Filho.

O estudo analisou que, quando a avaliação da divergência genética é feita de acordo com a aparência da cana-de-açúcar pode confundir as análises estatísticas. Isso porque os genótipos mais divergentes ser influenciados pelo ambiente. Já sem a influência dos fatores ambientais, a precisão da análise é ampliada, levando à verificação de quais genótipos são mais similares ou distantes geneticamente, como explica o autor da metodologia. 

Desta forma, é possível realizar o cruzamento com maior precisão e mais chances de ter novos genótipos com mais produtividade e características favoráveis. Isso porque o estudo mostra que os resultados positivos de programas de melhoramento dependem da realização de cruzamento entre genótipos não aparentados. O professor afirma que a nova metodologia não vai resolver todos os problemas dos programas de melhoramento genético, mas é uma opção sem custos a ser explorada. 

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