Ataques dos Houthis na Arábia Saudita causam três mortes e mais de 33 feridos
Os recentes ataques dos rebeldes Houthis, do Iêmen, contra infraestruturas na Arábia Saudita deixaram pelo menos três mortos e mais de 33 feridos
Publicado: 08/10/2026 às 18:07
Imagem mostra combatentes ligados ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita em confronto com forças houthis na província de Al-Jawf (AFPTV/AFP)
O grupo iemenita lançou drones e mísseis balísticos contra alvos que incluíram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital Riad, e instalações no sul do país, como o Aeroporto Internacional de Abha. As ofensivas dos rebeldes também já atingiram refinarias da gigante estatal Aramco, afetando a aviação e a produção de petróleo do país. As autoridades sauditas informaram que os ataques provocaram danos materiais, mas não especificaram a extensão dos prejuízos.
As investidas ocorrem em meio a uma contraofensiva das forças do Governo do Iêmen — reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita — para retomar territórios conquistados pelos Houthis e áreas estratégicas na costa do Mar Vermelho. O grupo rebelde assumiu recentemente o controle dessa faixa litorânea e reforçou sua presença no estreito de Bab el-Mandeb, via marítima estratégica que liga a Ásia à Europa por meio do Mar Vermelho e do Canal de Suez, bloqueando o tráfego de navios sauditas. A Arábia Saudita vem enfrentando repetidos ataques dos Houthis contra suas cidades, infraestruturas petrolíferas e embarcações desde que a guerra civil no Iêmen voltou a se intensificar.
Contudo, a coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado parte dos projéteis nestes últimos ataques e respondido com bombardeios aéreos em áreas controladas pelos Houthis no Iêmen, como o Aeroporto Internacional de Sanaa. A Organização das Nações Unidas (ONU) e embaixadas estrangeiras condenaram a escalada militar, que amplia a tensão na região.
Acordo Conjunto de Defesa de Meca
A Turquia e o Paquistão já anunciaram a rápida mobilização de tropas para a Arábia Saudita no âmbito da nova aliança de defesa mútua firmada entre os três países, o Acordo de Defesa Conjunta de Meca.
“Acordamos em avançar imediatamente para a implementação prática dos compromissos de defesa coletiva e tomar as medidas necessárias para disponibilizar as forças e capacidades militares acordadas e garantir a sua rápida mobilização no reino", diz o comunicado oficial.
Representantes dos três países realizaram uma reunião de emergência em Riad na última segunda-feira, quando discutiram os recentes ataques à Arábia Saudita — em particular aqueles que visaram às cidades sagradas de Meca e Medina —, embora sem mencionar nominalmente os Houthis. Em declaração conjunta, o trio reafirmou sua rejeição inequívoca a qualquer ataque ou ameaça contra a segurança e a integridade territorial do reino.
Assinado em agosto, o Acordo Conjunto de Defesa de Meca compromete os signatários a prestarem auxílio mútuo em caso de agressão externa. O pacto une o segundo maior exército da OTAN (Turquia), o único Estado do mundo islâmico detentor de armas nucleares (Paquistão) e a maior potência do Golfo Pérsico (Arábia Saudita).