Israel relembra as vítimas de 7 de outubro antes das eleições
Em Reim, onde em 7 de outubro ocorria o festival de música eletrônica Nova, familiares das vítimas fizeram um minuto de silêncio no horário exato em que começou o ataque
Publicado: 07/10/2026 às 08:23
Uma pessoa enlutada segura um cartaz com retratos de vítimas enquanto está no local do festival de música Nova, em Israel (JOHN WESSELS/AFP)
Israel homenageia, nesta quarta-feira (7), as vítimas do ataque perpetrado há três anos pelo movimento islamista palestino Hamas, pouco antes de eleições marcadas pela lembrança do dia mais sangrento desde a criação do Estado de Israel.
Em Reim, onde em 7 de outubro ocorria o festival de música eletrônica Nova — invadido ao amanhecer por milicianos islamistas —, familiares das vítimas fizeram um minuto de silêncio às 06h29 (00h29 no horário de Brasília), o horário exato em que começou o ataque a partir de Gaza.
"Foi o minuto em que nossas vidas mudaram para sempre", disse à AFP Katia Zohar, mãe de Bar, assassinada aos 23 anos junto com outras 360 pessoas naquele festival, a poucos quilômetros da Faixa de Gaza.
"Lembro de tudo", acrescentou. "Do momento em que ela me ligou para que eu fosse buscá-la, porque havia mísseis voando (...), e depois quando ligou da estrada, gritando que estavam atirando nela".
"Sinto muita falta dele", afirmou Anna Davitashvili, de 53 anos, lembrando-se de seu filho mais velho, Shaun, morto aos 25 anos junto com amigos no festival Nova.
"Sinto uma dor imensa por não ter conseguido salvá-lo", contou, com lágrimas nos olhos.
Um minuto de silêncio também foi observado no kibutz Kfar Aza, perto da fronteira com Gaza, onde 64 pessoas foram assassinadas e 18 sequestradas durante o fatídico ataque.
Na manhã de sábado, 7 de outubro de 2023, coincidindo com um feriado judaico, centenas de combatentes palestinos cruzaram a fronteira após dispararem uma intensa salva de foguetes a partir de Gaza.
Armados com fuzis e granadas, eles massacraram famílias em comunidades agrícolas e atacaram delegacias e bases do exército, em um dia que deixou 1.221 mortos, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Os membros do Hamas também fizeram 251 reféns e os levaram para Gaza; 44 deles já estavam mortos.
O Hamas, que permanece presente em Gaza apesar das promessas incessantes de Netanyahu de eliminar o movimento, divulgou um comunicado apresentando o 7 de outubro como "um dia glorioso na história do nosso povo".
O movimento afirmou ter "derrubado o mito do exército invencível" e declarou que a ofensiva de um ano atrás foi "a resposta natural e a culminação de décadas de sofrimento amargo".
Segurança reforçada
As cerimônias ganham uma dimensão especial este ano por serem as primeiras desde a entrada em vigor, em outubro do ano passado, do cessar-fogo em Gaza.
O território palestino ficou reduzido a escombros e mergulhado em uma imensa crise humanitária após mais de dois anos de hostilidades israelenses, que deixaram mais de 74.000 mortos, segundo dados das autoridades do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
As cerimônias oficiais foram realizadas em Jerusalém na segunda-feira, data definida pelo governo de acordo com o calendário hebraico. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, participou dos eventos.
Os atos ocorrem sob segurança reforçada, a três semanas das eleições gerais em Israel e uma semana após a tentativa frustrada de ataque contra um avião com destino a Tel Aviv.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou na terça-feira que o exército estava em alerta devido a informações "de inteligência sobre as intenções do Hamas de tentar realizar ataques e operações terroristas" por ocasião do aniversário.
Segundo as autoridades do enclave palestino, pelo menos duas pessoas morreram em ataques israelenses noturnos contra o território.
As eleições de 27 de outubro serão as primeiras desde os ataques.
As pesquisas preveem uma disputa difícil para o primeiro-ministro Netanyahu que, nos últimos três anos, também lançou ofensivas em larga escala no Líbano e no Irã, além de ter intervindo na Síria e no Iêmen.
Um de seus rivais é Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro que o critica por não ter evitado os ataques.
"Isso foi um fracasso colossal do Estado de Israel, que foi fundado para defender os judeus em nossa terra", declarou a jornalistas no local do festival Nova.