RDCongo registra quase 4 mil mortes e mais de 8 mil casos de Ébola
O cenário indica que grande parte dos infectados morre sem atendimento médico oportuno, agravado por fatores como o atraso na busca por socorro e a subnotificação de casos
Publicado: 28/09/2026 às 18:13
Dados da OMS mostram que, até o momento, 82 casos de ebola foram confirmados na República Democrática do Congo (Foto: SEROS MUYISA/AFP)
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde da RDCongo, divulgados no último domingo (27), apontam 8.067 casos confirmados de Ébola e 3.901 mortes em 63 zonas de saúde, distribuídas por sete das 26 províncias do país. A taxa de mortalidade atinge 48,4%. Segundo o Ministério, ao menos 2.070 pessoas já se recuperaram da doença.
A epidemia de Ébola na RDCongo, causada pela rara cepa do vírus Bundibugyo, não possui tratamento ou vacina com eficácia comprovada para essa variação específica. O vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, provocando febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragia interna.
Nas últimas semanas, as primeiras doses da vacina Ervebo — cuja eficácia é comprovada contra a cepa Zaire do vírus — começaram a ser administradas a profissionais de saúde na linha de frente, no âmbito de um ensaio clínico na RDCongo.
No entanto, os esforços de contenção têm sido dificultados pela insegurança, pelo deslocamento de populações, pelo ceticismo de parte dos moradores em relação à doença e por greves da categoria médica. O país enfrenta uma escassez cada vez maior de profissionais de saúde disponíveis para combater o surto.
Paralisação dos profissionais de saúde
Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a RDCongo está ficando sem equipes médicas para conter o avanço da doença. Os profissionais denunciam atrasos e falta de pagamentos, o que motivou paralisações. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC), 50 profissionais de saúde já morreram desde o início da epidemia.
"A taxa de letalidade persistentemente elevada, em particular a proporção contínua de óbitos ocorridos nas comunidades, evidencia a gravidade da doença e os desafios na detecção precoce de casos e no acesso a cuidados adequados", afirmou a OMS em seu relatório mais recente.
O cenário indica que grande parte dos infectados morre sem atendimento médico oportuno, agravado por fatores como o atraso na busca por socorro e a subnotificação de casos.
Apesar da gravidade, algumas regiões mostram sinais de melhora, com queda no número de novos casos nas últimas semanas, como nas províncias de Ituri e Haut-Uele. No entanto, autoridades locais alertam que o vírus continua se espalhando para outras regiões, ampliando o alcance geográfico da epidemia.