Parlamentares dos EUA pedem que não haja interferência nas eleições do Brasil
Parlamentares norte-americanos acusam gestão de tentar desestabilizar a democracia brasileira para favorecer Flávio Bolsonaro e citam revogação de visto e retaliações comerciais.
Publicado: 25/09/2026 às 14:45
Reunião do presidente Lula com o senador estadunidense Bernie Sanders, em Nova York, antes de assembleia da ONU na segunda-feira (21). (Ricardo Stuckert/Divulgação)
Segundo publicação do jornal britânico The Guardian, um grupo de 30 deputados democratas norte-americanos e o senador Bernie Sanders pediram ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não interfira nas eleições presidenciais do Brasil, se comprometa a respeitar o processo eleitoral e reconheça o resultado do pleito.
Em uma carta enviada ao Secretário de Estado Marco Rubio, congressistas acusam o governo Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras de outubro para favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Eles questionaram se a administração norte-americana se comprometerá a respeitar o processo eleitoral do Brasil e exigiram uma resposta do chefe da diplomacia até 1º de outubro.
“Uma série de ações do governo norte-americano representa uma campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil. Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão atuando como um agente de interferência e desestabilização, usando pressão diplomática, econômica e política de modo que correm o risco de enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar mais danos ao nosso relacionamento com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA", escreveram.
Os parlamentares enumeram na carta várias destas medidas, como as tarifas impostas por Trump ao Brasil no ano passado, cuja decisão o presidente dos EUA vinculou ao julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado depois da derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva.
Também afirmaram que Trump exigiu do governo Lula, durante negociações diplomáticas sigilosas após o tarifaço, que ‘dissidentes políticos’ brasileiros não fossem detidos, presos ou impedidos arbitrariamente de participar das eleições. Além disso, os parlamentares citaram as novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano em julho, com base na seção 301 da legislação comercial dos EUA, e os planos de enviar dois funcionários ao Brasil para lançar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral do país, considerado por muitos especialistas como um dos mais confiáveis do mundo.
Como a administração Lula não permitiu a presença aos dois diplomatas norte-americanos, a embaixadora do Brasil em Washington Maria Luiza Viotti teve o visto revogado em retaliação.
De acordo com os parlamentares dos EUA, todas as iniciativas fazem parte de um movimento mais amplo de ingerência do governo Trump em processos eleitorais na América Latina. Na carta, eles acrescentaram ainda, como exemplo, as eleições de meio de mandato na Argentina e as disputas presidenciais em Honduras e na Colômbia.