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Calor extremo

Verão foi o mais quente já registrado no Reino Unido; na Espanha, foram 5 mil mortes

Temperatura máxima foi registrada em Londres, chegando a 38º C no dia 13 de agosto

Cynthia Morato e AFP

Publicado: 01/09/2026 às 11:52

Temperatura chegou a 42ºC em Palma de Maiorca, na Espanha/Jaime Reina/AFP

Temperatura chegou a 42ºC em Palma de Maiorca, na Espanha (Jaime Reina/AFP)

O verão de 2026 no Hemisfério Norte, entre junho e agosto, foi o mais quente já registrado no Reino Unido e superou o recorde de 2025, anunciou nesta terça-feira (1º) a agência meteorológica britânica.

O Reino Unido registrou temperatura média de 16,5ºC no período, superando o recorde anterior, de 16,1 º C, estabelecido no ano passado, informou o Met Office. A máxima chegou a 38,1º C no Leste de Londres em 13 de agosto.

Já na Espanha, o Ministério da Saúde divulgou nesta terça que a estimativa é de que 5.234 pessoas tenham morrido por causas relacionadas ao calor entre 15 de maio e 31 de agosto. Este é o maior número registrado para verão desde 2015, quando o sistema de monitoramento foi lançado.

Apenas em agosto, foram 2.149 mortes por conta do calor. Os dados são do MoMo, sistema que monitora a mortalidade diária e é ligado ao ministério espanhol. Em Palma de Maiorca, na região do mar Mediterrâneo, as temperaturas chegaram a 42º C.

Uma análise da agência meteorológica britânica concluiu que as emissões de gases de efeito estufa produzidas pela atividade humana tornaram 130 vezes mais provável o recorde de temperatura registrado neste verão.

"Em um clima que não fosse afetado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa, um verão como este seria extremamente improvável", afirmou Mark McCarthy, meteorologista do Met Office.

 

Reino Unido

A agência meteorológica britânica acrescentou que as temperaturas elevadas foram "muito provavelmente provocadas pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana".

Cientistas alertam que as mudanças climáticas estão intensificando os fenômenos meteorológicos extremos e fazendo com que recordes sejam quebrados com frequência cada vez maior.

Mais de 30 países em diferentes regiões, como Europa Ocidental, América Central e Sahel, na África, registraram neste ano o mês de julho mais quente desde o início das medições, segundo uma análise da AFP baseada em dados do observatório europeu Copernicus.

O Reino Unido teve o segundo mês de julho mais quente já registrado, enquanto a Inglaterra registrou seu junho mais quente no início deste verão, período em que vários recordes de temperatura foram quebrados após intensas ondas de calor. Além disso, quase três quartos da Inglaterra e todo o País de Gales enfrentaram condições de seca.

"Esses recordes estão sendo quebrados com frequência cada vez maior, o que reflete a influência das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana nas temperaturas que estamos registrando no Reino Unido", afirmou Amy Doherty, diretora científica do Met Office.

 

Especialistas alertam o governo britânico de que o país não está preparado para as consequências das mudanças climáticas, já que as moradias e a infraestrutura pública não foram projetadas para um clima quente e seco.

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