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Na reunião do G7, AIE alerta que reservas de petróleo se esgotarão em semanas

No último relatório mensal sobre o mercado de petróleo, a AIE apontou que o fechamento de Ormuz privou a comercialização de mais de 1 bilhão de barris dos países do golfo Pérsico

Isabel Alvarez

Publicado: 18/05/2026 às 13:23

O principal órgão de segurança do Irã comunicou a criação oficial de um novo organismo responsável pela gestão do Estreito de Ormuz/ AFP

O principal órgão de segurança do Irã comunicou a criação oficial de um novo organismo responsável pela gestão do Estreito de Ormuz ( AFP)

No primeiro dia da reunião dos ministros da Economia do G7, em Paris, o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que o cushion, ou seja, a margem das reservas comerciais de petróleo acumuladas antes da guerra no Oriente Médio e do bloqueio do Estreito de Ormuz irão se esgotar numa questão de semanas.

“As reservas estão se esgotando muito rapidamente. Ainda restam várias semanas, mas devemos estar cientes de que está a diminuir aceleradamente", advertiu.


No último relatório mensal sobre o mercado de petróleo, a AIE apontou que o fechamento de Ormuz privou a comercialização de mais de 1 bilhão de barris dos países do golfo Pérsico, o que representa cerca de 14 milhões de barris por dia retidos.


Apesar da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos estarem conseguindo exportar uma parte da produção por outras vias, oleodutos que contornam o estreito, e outros países produtores em outras regiões do mundo tenham aumentado as extrações de petróleo, as reservas mundiais entre março e abril reduziram 250 milhões de barris, que significa um ritmo de 4 milhões de barris diários.


Birol assinalou que, antes do começo da guerra no Oriente Médio, a situação no mercado era de excesso de petróleo, com aproximadamente 2,5 milhões de barris diários acima da procura. No entanto, avisou que essas margens não são infinitas e as reservas comerciais estão reduzindo rapidamente. Além disso, o diretor da AIE sublinhou que com o verão no hemisfério norte se inicia a temporada de viagens e de cultivo, na qual se consomem mais combustíveis e fertilizantes.


“Todos estes elementos contribuem para elevar os preços e isso pode ter importantes repercussões nos combustíveis e nos alimentos, o que pode impulsionar expressivamente a inflação para cima”, explicou.


Em março, os países da AIE decidiram coletivamente colocar no mercado mais de 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas para atenuar as tensões no mercado e evitar movimentos especulativos. "Se for necessário vamos fazer novamente nos próximos meses", afirmou o ministro das Finanças francês, Roland Lescure ao chegar à reunião do G7.


Irã oficializa órgão para gerir Estreito de Ormuz

O principal órgão de segurança do Irã comunicou a criação oficial de um novo organismo responsável pela gestão do Estreito de Ormuz. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano divulgou nesta segunda-feira (18) a apresentação da nova Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, indicando que a agência passará a fornecer atualizações em tempo real sobre as operações no Estreito de Ormuz e os mais recentes desenvolvimentos. Segundo a mídia local, o órgão também será responsável pela aprovação da passagem de navios e pela cobrança de taxas de trânsito no Estreito.

A partir de agora, os navios serão obrigados a fornecer informações detalhadas sobre o seu proprietário, seguro, tripulantes e rota de trânsito pretendida. O canal estatal iraniano Press TV descreveu a nova agência como um sistema concebido para exercer soberania sobre o Estreito de Ormuz pelo Irã.

"Estabelecemos um mecanismo profissional de gestão de tráfego no estreito, que em breve estará operacional”, relatou no domingo Ebrahim Azizi, chefe da comissão parlamentar de segurança nacional.

Desde o início do conflito, o governo de Teerã insiste que o tráfego no estreito não regressará ao seu estado pré-guerra. No mês passado, o país informou ter recebido as primeiras receitas das taxas cobradas nesta rota estratégica marítima.

O controle iraniano desta passagem, por onde transita quase um quinto da produção mundial de petróleo, tem afetado substancialmente os mercados energéticos globais.

Por outro lado, os Estados Unidos mantêm o seu próprio bloqueio aos portos iranianos, apesar do frágil cessar-fogo entre as duas partes. O Comando Central dos EUA informou hoje que as suas forças já redirecionaram 84 navios comerciais e incapacitaram outros quatro com a imposição do bloqueio.

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