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ORIENTE MÉDIO

Hezbollah recusa se desarmar e promete inferno a Israel

A declaração do dirigente surge num momento em que os representantes do governo de Beirute e Tel Aviv deverão realizar uma nova rodada de negociações diretas em Washington

Isabel Alvarez

Publicado: 12/05/2026 às 18:51

Chefe do Hezbollah, Naim Qassem/Al-Manar/AFP Photo

Chefe do Hezbollah, Naim Qassem (Al-Manar/AFP Photo)

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou hoje que o Líbano discuta o desarmamento do grupo libanês pró-iraniano com Israel e ameaçou transformar o conflito com o exército israelense num inferno.

"As armas e a Resistência não dizem respeito a ninguém fora do Líbano. É uma questão interna libanesa que não faz parte das negociações com o inimigo. Não nos renderemos e transformaremos a batalha num inferno para Israel", frisou Qassem numa mensagem direcionada aos militantes do grupo.

A declaração do dirigente surge num momento em que os representantes do governo de Beirute e Tel Aviv deverão realizar uma nova rodada de negociações diretas em Washington, na próxima quinta-feira (14) e sexta-feira (15). Os Estados Unidos atuam como mediador, no entanto o Hezbollah não faz parte das conversações e o Líbano não participa militarmente do conflito. Enquanto isso, o regime de Teerã e seu grupo aliado no Líbano querem que as negociações sejam entre Washington e Irã.

O conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano vive um cenário de altíssima tensão, com relatos de ataques mútuos e frequentes, apesar do cessar-fogo teoricamente em vigor desde o dia 17 de abril, com acusações de ambos os lados de violar a trégua.

A situação é descrita pelos analistas internacionais como um "cessar-fogo fictício" devido às violações diárias e uma guerra praticamente aberta entre as duas partes, além da ocupação militar israelense no sul do Líbano e as constantes ordens de evacuação aos residentes, que evidenciam a ausência de uma cessação real e concreta. Os militares estão estacionados da fronteira entre os dois países até 10 quilômetros dentro do território libanês. O governo israelense diz que o objetivo é realizar uma operação similar à realizada na Faixa de Gaza, onde a maior parte das edificações foi destruída e Israel mantém uma zona tampão em 59% do território que segue ocupado.

Já a Agência Nacional de Informação do Líbano anunciou nesta terça-feira (12) que mais seis pessoas morreram em um bombardeio israelense contra a localidade de Kfar Dounin, no sul do país, registrado na segunda-feira (11). Desde a madrugada de hoje, a força aérea de Israel realizou ofensivas em diferentes áreas do sul do Líbano e ainda na cidade de Sohmor, no leste.

O Ministério da Saúde libanês já reportou milhares de feridos e mortos, que inclui muitas mulheres e crianças, desde o início da guerra, sendo que quase 400 aconteceram a partir do cessar-fogo, além da destruição significativa de estruturas civis e a deslocação em massa de uma parte da população. As Nações Unidas também alertou que o país vive uma grave crise humanitária.

Por sua vez, o exército de Israel informou recentemente que drones explosivos lançados pelo Hezbollah caíram no norte do seu território, que causou a morte de soldado e deixou outro gravemente ferido.

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