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CONFLITO

Irã cria órgão para gerir tráfego marítimo no Estreito de Ormuz

A agência de notícias Fars também publicou que a Guarda Revolucionária iraniana alertou todas as embarcações para que usem os corredores que definiram no Estreito de Ormuz

Isabel Alvarez

Publicado: 05/05/2026 às 16:54

Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz/AMIRHOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP

Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz (AMIRHOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP)

De acordo com a imprensa internacional, que cita a mídia iraniana, o governo de Teerã criou um novo órgão cuja função é gerir o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz. A agência de notícias Fars também publicou que a Guarda Revolucionária iraniana alertou todas as embarcações para que usem os corredores que definiram no Estreito de Ormuz, ameaçando que, em caso de desvio, a resposta será decisiva.

Com a escalada das tensões no Estreito de Ormuz, o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, ainda reiterou que o seu país pretende preservar o novo ‘status quo’ no estreito, reafirmando o seu controle total sobre a rota marítima mesmo que Washington não aceite. “Ainda nem começamos”, advertiu.

A mensagem de Ghalibaf faz eco à recente declaração do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, na qual afirmou que o regime possui uma nova gestão e visão da navegação no Golfo Pérsico.

Enquanto isso, os Estados Unidos e o Irã trocaram tiros no Estreito de Ormuz após o presidente norte-americano Donald Trump ter anunciado os planos para conduzirem alguns navios através do estreito, chamado de Projeto Freedom (Liberdade).

Mas, segundo o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, o esforço americano para guiar as embarcações para fora do Estreito de Ormuz é separado e diferenciado da operação militar em curso na região. “Para que fique claro, esta operação é separada e distinta da Operação Fúria Épica. O Projeto Freedom tem uma natureza defensiva, um âmbito limitado e uma duração temporária, com uma única missão: proteger a navegação comercial inocente da agressão iraniana”, disse.

Além disso, o chefe do Pentágono insistiu que o cessar-fogo não terminou, mesmo com as trocas de tiros entre os dois lados em Ormuz. “Não, o cessar-fogo não acabou. Em última análise, este é um projeto separado e distinto, e esperávamos que houvesse alguma instabilidade no início, o que de fato aconteceu”, explicou. Hegseth ainda assegurou que dois navios comerciais norte-americanos já atravessaram o estreito e que outros seis navios que tentaram violar o bloqueio aos portos iranianos foram todos impedidos de prosseguir.

Ao ser questionado hoje na coletiva de imprensa na Casa Branca sobre o que seria uma violação de cessar-fogo para os EUA, Trump apenas respondeu: “Vão descobrir, porque eu vou dizer. Eles sabem o que fazer e sabem o que não fazer. Estão à procura de pequenos barcos para tentar competir com a nossa grande Marinha. Tentam fazer jogos, mas querem um acordo", apontou.

Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, o Irã disparou contra navios comerciais nove vezes e apreendeu dois navios porta-contentores, além de ter atacado forças norte-americanas mais de 10 vezes. Entretanto, de acordo com as informações do General Dan Caine, Chefe do Estado-Maior Conjunto, nesta terça-feira (05), o limite para a retomada é uma decisão política que está acima da sua alçada. “O que posso dizer é que, neste momento, são disparos de assédio de baixa intensidade. Parece que o Irã está se agarrando a qualquer coisa”, comentou Caine.

O presidente Trump também destcaou que os EUA têm controle total e que a guerra com o Irã poderá se prolongar por mais duas ou três semanas, descartando que o tempo seja um fator crucial para os interesses de Washington. “De uma forma ou de outra, ganhamos. Do ponto de vista militar, já ganhamos”, afirmou, acrescentando que o aumento dos preços dos combustíveis é um pequeno preço a pagar.

Alerta econômico

O relatório divulgado hoje pela S&P Global Energy alerta que mesmo após a reabertura de Ormuz, serão necessários mais sete meses, no mínimo, para restabelecer completamente a produção e o montante no mercado energético.

S&P Global Energy, líder no fornecimento de dados, avaliações de preços de referência e análises de mercado para os setores de energia, ainda indicou que essa estimativa pode ser otimista. Isto porque o prazo de sete meses pressupõe que não haja danos permanentes na infraestrutura energética e que as cadeias de abastecimento operem sem problemas. Por outro lado, a recuperação poderá ser mais demorada, dependendo dos danos nos portos, oleodutos, infraestruturas de carregamento e outras instalações no Oriente Médio.
"Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a probabilidade da crise de abastecimento se prolongar até ao final de 2026 e 2027", diz o documento da S&P.

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