Trump afirma que Irã concordou em não desenvolver armas nucleares por 20 anos
O presidente americano indicou também que a próxima rodada de negociações entre Washington e Teerã poderá acontecer no próximo fim de semana
Publicado: 16/04/2026 às 19:01
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (ALEX BRANDON / POOL / AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã está pronto a ceder o seu urânio enriquecido e concordou em não desenvolver armas nucleares por mais de 20 anos, uma exigência que já havia sido feita no encontro anterior das delegações no Paquistão.
Trump indicou também que a próxima rodada de negociações entre Washington e Teerã poderá acontecer no próximo fim de semana na capital paquistanesa e aventou até mesmo viajar até Islamabad se um entendimento for alcançado entre as autoridades dos dois países nos próximos dias.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão apontou que há disposição para uma retomada das negociações em breve, porém não adiantou informações sobre o local ou a data da segunda rodada das conversações sobre um acordo para o fim da guerra.
Shehbaz Sharif , primeiro-ministro do Paquistão, principal mediador entre as duas partes, se reuniu hoje com o Emir do Catar em Doha, Xeque Tamim bin Hamad Al Thani, para esforços diplomáticos nas negociações, reduzir as tensões e intensificar a coordenação internacional para garantir a segurança e a estabilidade da região, incluindo a garantia do bom funcionamento das cadeias de abastecimento de energia.
Enquanto isso, a Marinha dos EUA comunicou que forças militares norte-americanas ampliaram o bloqueio marítimo ao Irã, incluindo cargas consideradas contrabando ou qualquer navio considerado suspeito que tente chegar ao território iraniano. "Estas embarcações, independentemente da localização, estão sujeitas a visita, abordagem, busca e apreensão", avisou a Marinha. Os artigos contrabandeados incluem armas, sistemas de armas, munições, materiais nucleares, petróleo bruto e refinado, assim como ferro, aço e alumínio.
O secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, reafirmou que a Marinha controla todo o tráfego que entra e sai do Estreito de Ormuz. Hegseth enfatizou que o bloqueio se manterá pelo tempo que Washington considere necessário e que as tropas dos EUA no Oriente Médio estão posicionadas para retomar as operações de combate caso o governo iraniano não concorde com um acordo de paz.
“Os navios que tentarem romper o bloqueio serão interceptados e avisados de que se não cumprirem este bloqueio, usaremos a força. A aplicação da lei terá lugar dentro das águas territoriais do Irã e em águas internacionais”, completou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA.
Em contrapartida, Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária e atual conselheiro militar do Líder Supremo do Irã, ameaçou afundar navios norte-americanos no Estreito de Ormuz se os EUA decidissem ‘policiar’ a rota marítima.
Além disso, Rezaei alertou que pode fazer soldados norte-americanos reféns caso desembarcassem e exigir milhões de dólares por cada prisioneiro. “Trump quer se tornar a polícia do Estreito de Ormuz, mas em caso algum recuaremos nas nossas dez condições nas breves negociações sobre um bloqueio marítimo. Um cessar-fogo só terá significado quando todos os nossos acordos e direitos forem cumpridos e for apresentada uma declaração ao Conselho de Segurança do Irã", disse à TV estatal, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.