Hezbollah pede cancelamento das negociações entre Líbano e Israel
Reunião entre autoridades libanesas e israelenses estão marcada para esta terça-feira (14)
Publicado: 13/04/2026 às 18:00
Chefe do Hezbollah, Naim Qassem (Al-Manar/AFP Photo)
O líder do grupo militante xiita libanês Hezbollah, Naim Qassem, pediu ao governo do Líbano para cancelar a reunião marcada para terça-feira (14) entre as autoridades libanesas e israelenses em Washington. Qassem considera que as conversações serão inúteis.
Por sua vez, Israel e Líbano vão levar para a mesa de negociações a proposta de neutralizar e desarmar o Hezbollah. Beirute espera também que as negociações de amanhã resultem num cessar-fogo, afirmou hoje o presidente libanês Joseph Aoun. “Estas negociações serão conduzidas por uma equipe de negociação libanesa com o objetivo de pôr fim às hostilidades, seguidas de medidas concretas para reforçar a estabilidade no sul, em particular, e no Líbano em geral", disse Aoun.
Aoun ressaltou ainda que as conversações são da responsabilidade do Estado libanês, e de mais nenhuma outra parte, porque se trata de uma questão soberana na qual o Líbano não tem parceiros. A declaração foi uma referência indireta ao Hezbollah, que conta com o apoio do Irã.
O presidente já adiantou que o Líbano implementou medidas de segurança no Aeroporto Rafik Hariri, na capital do país, e nos portos para impedir o contrabando de armas ou o fluxo de fundos ilícitos.
Os avanços nas conversas de paz surgem numa semana em que, na última quarta-feira, um ataque massivo israelense e de pouquíssima duração causou 357 mortos e 1.223 feridos. Nas ultimas cinco semanas, o conflito provocou mais de duas mil mortes, milhares de pessoas feridas e mais de um milhão de deslocados.
Ontem, o Centro de Operações de Emergência do Ministério de Saúde Pública libanês registrou mais cinco pessoas mortas e outras 25 feridas num ataque de Israel à cidade de Qana, no sul do Líbano.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não dá sinais de recuo na frente libanesa apesar da pressão internacional. Hoje, o premiê assegurou a continuidade da guerra, afirmando que a missão não foi cumprida. “O exército mantém o foco total em operações que considera cruciais, e que estão ainda em fase de desenvolvimento”, declarou.
Netanyahu também defendeu decisão do presidente dos Estados Unidos de avançar com o bloqueio naval aos portos do Irã e ao Estreito de Ormuz.
Por outro lado, o Reino Unido apelou que o Líbano seja incluído com urgência na atual trégua entre os Estados Unidos, Israel e o Irã. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, também condenou nesta segunda-feira (13) as ofensivas contínuas das forças israelenses ao território libanês.
"Estão tendo consequências humanitárias devastadoras e empurrando o Líbano para uma crise. Os bombardeios devem parar agora. Embora o cessar-fogo entre os EUA, Israel e o Irã seja inegavelmente bem-vindo, é também extremamente frágil. A região continua em alerta, e é necessário muito trabalho para reabrir o Estreito de Ormuz, a fim de acalmar a situação e conduzir a um cessar-fogo sustentável", indicou Starmer, acrescentando que o Hezbollah deve se desarmar.