Vice-presidente dos EUA defende diplomacia sustentada para acabar a guerra na Ucrânia
JD Vance visitou a Hungria em apoio ao principal aliado europeu de Washington, o primeiro-ministro Viktor Orbán, que tenta a reeleição
Publicado: 08/04/2026 às 17:07
Vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance (foto: Jim Watson/AFP)
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que visitou a Hungria em apoio ao principal aliado europeu de Washington, o primeiro-ministro Viktor Orbán, que tenta a reeleição, defendeu a necessidade de uma diplomacia sustentada para terminar a guerra na Ucrânia. O premiê húngaro ainda disponibilizou Budapeste para acolher uma cúpula entre os Estados Unidos e Rússia.
"O Viktor, eu e o presidente dos EUA já condenamos a invasão russa. Não gostamos da guerra. A questão é: como é que se faz para parar? E a resposta é, não por políticos que ficam perante microfones a bater no peito e a fazer-se de duros quando os filhos de outra pessoa vão lutar num conflito. Faz-se através de diplomacia sustentada. A guerra na Ucrânia não afeta os Estados Unidos na mesma medida em que atinge a Europa, mas o presidente Donald Trump sabe que é má para o comércio, a moralidade e a vida humana. Precisamos realmente nos envolver numa diplomacia real", afirmou JD Vance.
Em Budapeste, Vance também apelou ao voto no primeiro-ministro Viktor Orbán e acusou as instituições europeias de interferência nas eleições da Hungria.
Relatos apontam que Moscou tentar interferir nas eleições húngaras
Viktor Orbán, chefe de governo a mais tempo no poder na União Europeia, concorre a um quinto mandato. Seu maior oponente é Péter Magyar, antigo aliado que rompeu após um escândalo político e se afirma agora como a principal alternativa pró-europeia.
Mas, à medida que se aproxima a eleição altamente disputada, que acontece no próximo domingo na Hungria, surgem cada vez mais relatos sobre os laços estreitos entre os governos húngaro e russo. Nas últimas semanas, mídias independentes e jornalistas de investigação alegaram que o ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, compartilhou informações confidenciais sobre reuniões da União Europeia com o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov.
Diversas fontes dos meios de comunicação também já afirmaram que Moscou tenta interferir na campanha eleitoral húngara a favor do governo, com o objetivo de manter no poder o seu aliado mais importante na UE. Em março, foi noticiado que o Kremlin tinha enviado um grupo de trabalho secreto à Hungria para influenciar as eleições e apoiar Orbán. A embaixada da Rússia em Budapeste, por outro lado, negou as acusações na ocasião.
O jornal britânico Financial Times publicou posteriormente que a Rússia lançou uma campanha de desinformação na Hungria, retratando Viktor Orbán como um líder forte e Péter Magyar, candidato da oposição, como um fantoche da União Europeia. O jornal norte-americano Washington Post noticiou depois que os serviços secretos russos teriam alegadamente proposto uma falsa tentativa de assassinato contra Orbán, visando acirrar os ânimos na campanha eleitoral húngara e aumentar o apoio ao governo.
De acordo com a Bloomberg, que teve acesso à transcrição de um telefonema entre o primeiro-ministro húngaro e o presidente russo no dia 17 de outubro, teve como principal teor uma conversa que manifestavam apreço mútuo e o respeito pelo presidente dos EUA, Donald Trump."Quanto mais amigos tivermos, mais possibilidades temos de enfrentar os nossos adversários", disse Orbán, de acordo com a transcrição, confirmada à Bloomberg por uma fonte familiarizada com a conversa, que solicitou o anonimato. Já o líder da Rússia, Vladimir Putin, ainda elogiou a posição soberana e flexível da Hungria sobre a guerra na Ucrânia.