Rússia e China vetam no Conselho de Segurança da ONU intervenção no Estreito de Ormuz
A resolução rejeitada indicava que todos os navios desfrutariam do direito de passagem em trânsito pelo Estreito de Ormuz, e que esta não poderia ser impedida, em conformidade com o direito internacional
Publicado: 07/04/2026 às 16:21
Conselho de Segurança da ONU (LEONARDO MUNOZ/AFP)
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas não aprovou a resolução apresentada pelo Bahrein, que contou com o apoio de outros países do Golfo Pérsico e dos Estados Unidos, sobre a proteção da navegação no Estreito de Ormuz.
A Rússia e a China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, vetaram a resolução que incentivava os países a coordenarem esforços para proteger a navegação comercial e estratégica no Estreito de Ormuz, praticamente bloqueada pelo Irã. Dos 15 países que compõem o Conselho de Segurança, 11 votaram a favor, dois contra e dois abstiveram-se.
A resolução rejeitada indicava que todos os navios desfrutariam do direito de passagem em trânsito pelo Estreito de Ormuz, e que esta não poderia ser impedida, em conformidade com o direito internacional, incluindo o disposto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Já a primeira versão da proposta do Bahrein inicialmente havia estabelecido que os países usassem todos os meios necessários, um termo da ONU que incluiria uma ação militar, para assegurar o trânsito através do estreito e impedir quaisquer bloqueios. Após a França, Rússia e China, que possuem poder de veto no Conselho de Segurança, terem se oposto à aprovação do uso da força, a resolução anterior foi revista e alterada para extinguir todas as referências a ações ofensivas.
Durante a sessão do Conselho de Segurança, o embaixador iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, também se manifestou e instou a comunidade internacional, antes que seja tarde demais, a denunciar a declaração de Donald Trump, de que toda uma civilização morrerá se o Irã não fechar um acordo. "O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", prometeu o diplomata, acrescentando que o cumprimento de tais ameaças constitui potencialmente um genocídio.
Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA, aconselhou nesta terça-feira (7) que todos os cidadãos norte-americanos no Bahrein permaneçam abrigados nos locais onde se encontram até nova ordem.
O presidente dos Estados Unidos reiterou suas ameaças ao Irã e disse que toda uma civilização morrerá esta noite, caso não reabra o estreito e não aceite um acordo para o fim da guerra. Trump disse que não quer que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá.
Em contrapartida, a Guarda Revolucionária do Irã já reagiu e ameaçou causar uma destruição global. A comunicação social iraniana ainda afirma que centenas de iranianos protestam e formam cadeias humanas junto às centrais energéticas e às pontes do país, após Trump ameaçar bombardear estas instalações.
Por sua vez, o Catar alertou hoje que a situação no Oriente Médio está quase fora de controle, horas antes de expirar o ultimato de Trump. "Estamos perto do ponto em que a situação na região ficará fora de controle. Não há vencedores se esta guerra continuar", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, insistindo que o prolongamento das hostilidades não beneficia ninguém e na importância de normalizar a navegação no Estreito de Ormuz.
O porta-voz da chancelaria catari também destacou que os ataques às infraestruturas civis e energéticas por qualquer das partes não devem ser aceitas. "O Estreito de Ormuz é um estreito natural, não um canal, e todos os países da região têm o direito de utilizá-lo livremente", sustentou Al-Ansari, em alusão ao grave impacto na economia mundial do bloqueio iraniano à rota de navegação que é um dos principais pontos do comércio global.