Ucrânia propõe à Rússia cessar-fogo para alvos energéticos
O líder ucraniano Zelensky já havia acusado o Kremlin no último sábado de intensificar as ofensivas contra a Ucrânia
Publicado: 06/04/2026 às 19:49
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (foto: Handout / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP)
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje que apresentou uma proposta à Rússia, através dos mediadores norte-americanos, de um cessar-fogo nos ataques contra as infraestruturas energéticas de ambos os países.
"Se a Rússia estiver disposta a parar de atacar o nosso setor energético, nós também estaremos. E esta nossa proposta, transmitida através dos representantes dos Estados Unidos, já foi comunicada à Moscou. Neste momento, é claro, o mercado petrolífero e os mercados globais em geral estão em crise devido à situação não resolvida em torno do Irã. Os países produtores de petróleo, e a Rússia estão entre eles, podem agora lucrar mais. E os nossos drones e mísseis estão limitando a Rússia neste aspecto", declarou.
Zelensky ainda agradeceu aos aliados que continuam a exercer pressão, incluindo sanções, a apreensão de petroleiros e restrições ao fornecimento de equipamento moderno à Rússia. "Tudo o que os russos conseguirem arrecadar com o choque dos preços do petróleo vão gastá-lo na guerra. Essa prioridade deles não mudou. Portanto, qualquer restrição que impusermos à sua capacidade de exportar petróleo é a medida certa. Se a Rússia estiver disposta a cessar os ataques ao nosso setor energético, estaremos dispostos a responder da mesma forma", afirmou.
O líder ucraniano Zelensky já havia acusado o Kremlin no último sábado de intensificar as suas ofensivas contra a Ucrânia, ao invés de responder à sua proposta de uma trégua durante o período da Páscoa ortodoxa.
Por outro lado, Moscou comentou que não tinha nenhuma iniciativa claramente formulada por parte de Kiev, ao mesmo tempo em que prossegue os seus bombardeios diários contra o país vizinho.
Mas, a Rússia acusou hoje a Ucrânia de danificar o seu terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), em Novorossiysk, um porto russo no Mar Negro. Segundo o Ministério da Defesa os ataques com drones durante a última madrugada causaram um incêndio em quatro tanques no terminal do CPC e danificaram um oleoduto e um cais de carregamento. O Ministério alegou que Kiev busca desestabilizar o mercado global de hidrocarbonetos e interromper o fornecimento de produtos petrolíferos aos consumidores europeus.
O terminal facilita a exportação de petróleo através do oleoduto CPC, um dos maiores do mundo, que tem origem nos campos petrolíferos do Cazaquistão e atravessa a Rússia até ao Mar Negro. Entre os acionistas do CPC estão às gigantes petrolíferas norte-americanas Chevron e ExxonMobil.
Enquanto isso, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) apenas comunicou hoje que atacou, em conjunto com unidades das forças armadas, o terminal petrolífero de Cheskharis, também localizado no porto de Novorossiysk, e um dos mais importantes complexos de transbordo de petróleo e derivados do sul da Rússia.
A Ucrânia tem atacado frequentemente terminais de carregamento de petróleo no Mar Negro e no Mar Báltico, usados por Moscou para exportar petróleo bruto, assim como os petroleiros associados à chamada "frota fantasma" russa, usada para contornar as sanções internacionais.
Já a Rússia ataca constantemente as infraestruturas de energia da Ucrânia e nesta segunda-feira (6) alvejou uma Central de Energia em Chernihiv, que deixou milhares de pessoas sem eletricidade.
Com a guerra na Ucrânia em segundo plano devido ao conflito no Oriente Médio, as negociações entre as partes promovidas pelos Estados Unidos não avançaram nas últimas semanas. A guerra dos EUA e Israel contra o Irã também tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade dos preços nos mercados mundiais.