Após três meses, Cuba recebe primeira carga de petróleo
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que os Estados Unidos permitiram a chegada do petroleiro russo a Cuba por razões humanitárias
Publicado: 31/03/2026 às 17:33
O petroleiro russo Anatoly Kolodkin é visto no terminal petrolífero do porto de Matanzas, no noroeste de Cuba (YAMIL LAGE / AFP)
Depois de três meses do embargo de combustível pelos Estados Unidos e em meio a uma grave crise energética, Cuba recebeu hoje o primeiro carregamento de petróleo vindo da Rússia.
O petroleiro russo Anatoly Kolodkin, que está sob sanções norte-americanas desde 2024, transporta 740 mil barris de crude, o equivalente a 100 mil toneladas, e atracou no porto cubano em Matanzas. A carga da Rússia poderá ser transformada em 250 mil barris de gasóleo, mas suficiente para suprir a demanda do país durante apenas 12 dias.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que os Estados Unidos permitiram a chegada do petroleiro russo a Cuba por razões humanitárias e que analisarão caso a caso se autorizarão a chegada de outros navios.
Por outro lado, o Kremlin afirmou que continuará a prestar ajuda a Cuba. O porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia considera que é seu dever não ficar de braços cruzados e oferecer a assistência necessária.
Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que o seu governo trabalha com as autoridades cubanas para reativar o fornecimento de petróleo à ilha, após Donald Trump ter indicado no último domingo que não via problema com o fato do país receber combustível russo.
Enquanto isso, o impacto dos problemas energéticos em Cuba se agravou devido ao bloqueio de petróleo imposto pelo governo norte-americano desde janeiro numa medida considerada pela Organização das Nações Unidas como violações dos direitos humanos.
A escassez de combustível tem causado um colapso econômico à ilha, com cortes de energia generalizados e diários, afetando serviços essenciais, entre eles, transportes, saúde, coletas de lixo, alimentação e educação.
O presidente norte-americano Donald Trump já instou Havana a chegar a um acordo, exigindo, sobretudo, uma mudança do regime ou o enfrentamento das consequências, uma vez que classifica a ilha como uma séria ameaça a segurança dos Estados Unidos. Além disso, já declarou que seria uma grande honra ‘tomar’ Cuba. "Acho que posso fazer o que quiser com ela", disse.
Recentemente Trump também indicou que Cuba será o próximo alvo de ações militares dos EUA, após a Venezuela e a guerra contra o Irã.
O governo de Havana diz que está se preparando para a possibilidade de um ataque ou invasão militar norte-americano.