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GUERRA

EUA confirmam negociações para acordo de paz com o Irã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o seu país não tem intenção de negociar, mas sim de continuar a resistir

Isabel Alvarez

Publicado: 26/03/2026 às 16:09

Enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff/foto: Patrick T. Fallon/AFP

Enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff (foto: Patrick T. Fallon/AFP)

Nesta quinta-feira (26), o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, confirmou mais uma vez que os Estados Unidos negociam com o Irã através de canais diplomáticos com o Paquistão. “Posso informar hoje que, juntamente com a nossa equipe de política externa, apresentamos uma lista de 15 pontos que constitui a estrutura para um acordo de paz. Esta lista foi distribuída pelo governo paquistanês, que atua como mediador”, disse.

O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, admitiu que o seu país age como intermediário e que o plano norte-americano de 15 pontos estava sob a análise de Teerã. Em contrapartida, o regime iraniano comunicou que não aceitou a proposta e reagiu com suas exigências para o fim do conflito. Segundo o canal iraniano Press TV, foram destacadas cinco condições para o país acabar com a guerra: fim da agressão e assassinatos; garantias concretas para prevenir a retomada do conflito contra o Irã; pagamento de reparações de guerra; fim da guerra contra o Irã e todos os grupos de resistência no Oriente Médio e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o seu país não tem intenção de negociar, mas sim de continuar a resistir. “A mudança de tom de Washington equivale a um reconhecimento de fracasso após ter exigido anteriormente a rendição incondicional. Então, por que estão falando em negociação agora? O fato de estarem falando em negociação agora é exatamente uma admissão de derrota”, questionou.

O chanceler reconheceu os EUA enviaram diversas mensagens a Teerã nos últimos dias por meio de países amigos, porém observou que essas comunicações não configuram negociações. “O fato de mensagens estarem sendo enviadas e de respondermos com advertências ou declararmos nossas posições não é o que chamamos de negociação ou diálogo; é uma troca de mensagens. Nessas mensagens, ideias foram levantadas e transmitidas às autoridades superiores, e se for necessário tomar uma posição, elas a anunciarão”, enfatizou.

O embaixador do Irã nas Nações Unidas, Ali Bahreini, também avisou que o seu país está pronto para todos os cenários e que os Estados Unidos e Israel estão cometendo um “grande” erro. O diplomata garantiu que o Irão está ganhando a guerra e que forçou os inimigos a recuar nos seus objetivos iniciais. Bahreini ainda disse que o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, está seguro e lidera o país, mesmo não tendo sido visto publicamente desde que assumiu o cargo anteriormente ocupado pelo pai.

Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Levitt, assegurou hoje que as negociações continuam com o governo de Teerã, considerando-as mesmo produtivas. “As negociações com o Irã estão avançando rapidamente, mesmo após Teerã não ter aceitado imediatamente um plano de 15 pontos para encerrar a guerra”, declarou. Mas, Leavitt acrescentou que o presidente Donald Trump estava disposto a desencadear o inferno sobre o Irã se não se chegar a um acordo.

Trump , por sua vez, respondeu que Teerã nega negociações por medo e prometeu ser o pior pesadelo do Irã caso não haja acordo, reiterando que deve abandonar permanentemente suas ambições nucleares e trace um novo caminho para o futuro. "Os iranianos são maus combatentes, mas grandes negociadores e estão implorando por um acordo. Estão derrotados e agora têm a chance de fazer o acordo, mas isso é com eles. Veremos se eles querem fazer isso. Se não quiserem, somos o pior pesadelo deles. Vamos continuar a eliminá-los sem impedimentos", disse.

No entanto, Witkoff considerou que há sinais fortes de que um acordo com o Irão é possível e que a estrutura, até a data, resultou em mensagens e conversas fortes e positivas. A imprensa mundial já avançou que o plano norte-americano aborda questões como as ambições nucleares de Teerã e o seu programa de mísseis balísticos.

As autoridades da administração Trump, incluindo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, adiantaram que trabalham para organizar uma reunião no Paquistão ainda no próximo fim de semana para discutir uma solução para a guerra no Irã.

Já Trump afirmou que o governo iraniano ofereceu e já permitiu a passagem de dez petroleiros pelo Estreito de Ormuz como um "grande presente" nas negociações indiretas com Washington.

 

Planejamentos militares dos EUA

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, explicou que o que está acontecendo não é uma guerra sem fim, declarando que é campanha decisiva com objetivos claros, que visa destruir as capacidades militares e garantir que o Irã nunca vai conseguir uma arma nuclear. “Será uma guerra para os livros História contarem o puro sucesso americano”, avaliou.

Entretanto, o site Axios noticiou que o Departamento da Defesa dos Estados Unidos já se prepara para diferentes opções de intervenção militar para executar um “golpe final” na guerra contra o Irã, incluindo a participação de forças terrestres. Segundo a mídia, que cita quatro fontes oficiais, o Pentágono estuda invadir ou bloquear a ilha de Kharg, o principal centro de exportação do petróleo iraniano, invadir Larak, uma ilha que ajuda o país a controlar o Estreito de Ormuz, e tomar a ilha de Abu Musa e mais duas outras ilhas menores estratégicas pela sua localização perto da entrada ocidental do estreito.

Além disso, existe a possibilidade de bloquear ou apreender diretamente os navios que exportam petróleo iraniano no lado oriental de Ormuz. As operações militares estão sendo organizadas a poucas horas do fim do prazo de cinco dias que Trump impôs para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz.

Acordo , EUA , Irã , Paz
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