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ONU condena ataque a hospital no Sudão que causou mais de 70 mortes

Guterres pediu que todas as partes em conflito cumpram as suas obrigações com o direito internacional humanitário

Isabel Alvarez

Publicado: 24/03/2026 às 22:09

Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres./ONU/Jean-Marc Ferré (arquivo)

Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres. (ONU/Jean-Marc Ferré (arquivo))

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou o ataque com um drone que atingiu recentemente o Hospital Universitário de El Daein, em Darfur Oriental, no Sudão. O bombardeio já deixou pelo menos 70 mortos registrados até esta segunda-feira (24), incluindo crianças e profissionais de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também comunicou que 146 pessoas ficaram feridas, além da infraestrutura hospitalar, que era referência para mais de 2 milhões de pessoas, ter sido gravemente danificada tornando-a inoperante.

O hospital fica localizado numa zona sob controle das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), que estão em conflito com o Exército do Sudão.

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, declarou que, desde abril de 2023, a OMS verificou mais de 200 ataques contra unidades de saúde no Sudão, resultando em mais de 2 mil mortes.

Guterres pediu que todas as partes em conflito cumpram as suas obrigações com o direito internacional humanitário, que protege especificamente o pessoal e as instalações médicas e proíbe ataques dirigidos contra civis e bens civis. "O secretário-geral apela às partes para que reduzam imediatamente a escalada dos combates e cheguem a um acordo sobre a cessação das hostilidades", disse Dujarric,

O porta-voz acrescentou que o secretário-geral apela mais uma vez às partes para que trabalhem com mediadores, incluindo com o seu enviado pessoal para o Sudão, a fim de regressarem à mesa das negociações para procurar um cessar-fogo duradouro e um processo político abrangente, inclusivo e liderado pelos sudaneses. "As Nações Unidas estão prontas para apoiar medidas genuínas para pôr fim aos combates no Sudão e traçar um caminho rumo a uma paz duradoura", indicou.

Em quase três anos de guerra civil no Sudão, que tem provocado milhares de mortos e cerca de 12 milhões de deslocados, os hospitais são um alvo constante no conflito entre o exército do país e os paramilitares das RSF. O país é devastado pela fome, faltam itens essenciais, existem centenas de feridos, inúmeras violações sexuais e sérios danos estruturais, sendo considerada atualmente pela ONU a pior crise humanitária do mundo.

 

Desde o início do ano ataques causaram mais de 500 civis mortos

"De acordo com as informações recolhidas, mais de 500 civis foram mortos nestes ataques entre 01 de janeiro e 15 de março. A grande maioria destas mortes de civis foi registrada em três estados da região de Kordofan", anunciou Marta Hurtado, porta-voz do Alto Comissariado da ONU.

Hurtado informou que a intensificação dos ataques com drones se estende ainda para além das fronteiras do Sudão, gerando receios de uma nova escalada com consequências regionais significativas, em referência aos ataques que visaram cidades na fronteira entre o Sudão e o Chade. Segundo a porta-voz, uma ofensiva com drones que atingiu a cidade chadiana de Tiné, no dia 18 de março, causou a morte de 24 civis e feriu cerca de 60 outros.

“Pedimos à retomada dos esforços diplomáticos para se chegar a um cessar-fogo urgente para pôr fim ao conflito", apelou Hurtado.

 

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