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Estreito de Ormuz

OMI propõe a criação de um corredor humanitário

A agência estima que pelo menos 20 mil tripulantes estão atualmente a bordo de 3200 navios retidos no Golfo Pérsico

Isabel Alvarez

Publicado: 19/03/2026 às 19:14

Sessão extraordinária do Conselho da Organização Marítima Internacional/Divulgação/OMI

Sessão extraordinária do Conselho da Organização Marítima Internacional (Divulgação/OMI)

Após uma sessão extraordinária do Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI) foi proposta a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz para poder retirar os navios presos na região devido à guerra no Oriente Médio.

A OMI, agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima, estima que pelo menos 20 mil tripulantes estão atualmente a bordo de 3200 navios retidos no Golfo Pérsico devido à insegurança causada pelos ataques iranianos no Estreito de Ormuz.

"Estou pronto para começar a trabalhar imediatamente nas negociações destinadas a estabelecer um corredor humanitário para evacuar todos os navios e marítimos retidos. Para que isso se concretize, precisarei da compreensão, do empenho e, acima de tudo, de ações concretas por parte de todos os países envolvidos, bem como do setor e das agências relevantes da ONU", afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez.

Impacto mundial

O Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em retaliação desde o início dos ataques norte-americanos e israelenses ao país, tem desencadeado uma crise energética e econômica global, que elevou os preços do petróleo e seguros marítimos. Esta importante rota marítima escoa cerca de 20% do petróleo mundial e 30% dos fertilizantes e o impacto tem afetado as cadeias logísticas. Em sequência, os produtos ficam mais caros e os mercados instáveis.

A região permanece sob ameaça constante, com risco direto a embarcações e forte disputa geopolítica. A maioria dos navios evita o estreito por receio de bombardeios com drones, mísseis ou minas marítimas. Além disso, o Irã, que mantém o controle total da rota, intensificou a vigilância, exigindo coordenação direta com sua marinha, deixando de ser uma zona livre e dependendo de decisões estratégicas e políticas. Até existem rotas secundárias, no entanto são mais longas, mais caras e menos eficientes. Na prática, o mercado global fica refém dessa passagem.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) também alertou hoje para os efeitos do fechamento do estreito no comércio global, que traz consequências diretas no fornecimento de fertilizantes, que resultam em efeitos na produção alimentar de vários países e ainda adiciona uma pressão sobre empresas e consumidores.

“A situação representa um impacto relevante para a segurança alimentar, especialmente em nações mais vulneráveis”, indicou Robert Staiger, economista-chefe da OMC.

O organismo, além disso, prevê uma desaceleração acentuada neste ano, se a guerra perdurar, com um crescimento de apenas 1,4%, e caso também os preços de petróleo e gás continuem altos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, sugeriu ontem que poderia deixar os aliados dos Estados Unidos garantirem por conta própria a livre passagem pelo estreito depois da recusa dos aliados europeus e asiáticos aos seus pedidos de ajuda e escolta de navios militares entre outros equipamentos para liberar a rota. “Nós não precisamos do estreito, vital para o transporte mundial de petróleo, por isso vou deixar que os países que o utilizam encontrem uma solução”, disse, acrescentando posteriormente que os EUA não precisam de ninguém para reabri-lo. Porém, os especialistas internacionais afirmam que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz causa efeitos diretos na economia global, incluindo a dos EUA.

Entretanto, nesta quinta-feira (19), em um comunicado conjunto, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão mudaram o rumo do discurso e disseram estar prontos para se juntar aos esforços para liberar Estreito de Ormuz. Na nota, também afirmaram que tomarão medidas para estabilizar o mercado de energia, afetado drasticamente pelos recentes ataques do Irã a infraestruturas energéticas em países do Golfo Pérsico.

Antes do anuncio, o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, chegou a comentar que os aliados europeus eram ingratos.

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