Sistema de energia de Cuba colapsa e provoca apagão total na ilha
O colapso de energia em Cuba afeta 10 milhões de pessoas
Publicado: 16/03/2026 às 18:48
Havana, Cuba (YAMIL LAGE / AFP)
De acordo com informações relatadas pela Companhia Elétrica Nacional de Cuba, o país sofreu hoje uma nova falha completa no seu sistema elétrico, que resultou em um apagão generalizado em toda a ilha. A empresa comunicou que trabalha para restabelecer o fornecimento de eletricidade.
O colapso de energia em Cuba afeta 10 milhões de pessoas, que vive uma grave crise de desabastecimento e escassez de combustível devido a três meses do bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos. Washington escalou as tensões entre os dois países ao pressionar uma mudança no regime comunista da ilha, liderado por Miguel Díaz-Canel, afirmando que Cuba é uma ameaça excepcional a segurança dos EUA e ainda prometeu retaliar qualquer país que envie e exporte petróleo a ilha.
Cuba atravessa a pior crise econômica e humanitária em mais de 30 anos. A situação se agravou desde a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, pelas forças norte-americanas e com o fim do fornecimento de petróleo que Caracas enviava ao aliado.
O governo cubano já tomou medidas de emergência, incluindo um racionamento na distribuição de gasolina e limitou alguns serviços públicos. O presidente Díaz-Canel já reconheceu que o impacto da crise energética que atinge os serviços básicos é grave, abrangendo fortemente todos os setores da economia, com problemas nos transportes, turismo, educação, comunicações e saúde, com milhares de cirurgias adiadas.
Havana descreve a situação da rede energética como crítica, com o funcionamento limitado de usinas termoelétricas. Mas, com uma infraestrutura obsoleta e sucateada, os cortes tem sido cada vez mais frequentes nas últimas semanas. Os protestos da população também crescem e as tensões sociais chegaram a provocar incêndios por manifestantes próximos a sede do governo.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Cuba quer um acordo com Washington. “Cuba também quer fazer um acordo, e acho que muito em breve vamos fazer um acordo ou fazer o que tivermos que fazer. Estamos conversando com Cuba, mas vamos tratar do Irã antes de Cuba”, adiantou no domingo, acrescentando que a atenção da sua Administração se concentrará na ilha assim que terminar o conflito com Teerã.
Díaz-Canel também confirmou que representantes das duas partes iniciaram conversações. “Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes norte-americanos. O objetivo dos contatos é avaliar a vontade de ambas as partes de tomar medidas concretas em benefício dos povos dos dois países, assim como identificar possíveis áreas de cooperação, sempre com base no respeito pela soberania cubana. Essas conversas objetivam buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que existem entre as duas nações”, declarou.