Zelensky anuncia mais uma nova rodada de negociações trilaterais com Rússia e EUA
O presidente ucraniano acrescentou que Moscou e Kiev deverão acertar os detalhes de mais uma troca de prisioneiros
Publicado: 20/02/2026 às 19:39
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky (SIMON WOHLFAHRT / AFP)
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou que a Rússia e os Estados Unidos acordaram a realização de uma nova rodada de negociações de paz no prazo de 10 dias, que deve acontecer novamente na Suíça, em Genebra. Além disso, acrescentou que Moscou e Kiev deverão acertar nos próximos dias os detalhes de mais uma troca de prisioneiros.
A declaração de Zelensky foi feita depois de ter recebido no seu gabinete a equipe dos negociadores ucranianos que participou da última reunião nesta semana na cidade suíça. Ele também reiterou que nas conversações de Genebra foram acertados mecanismos para monitorizar um eventual cessar-fogo, destacando que os EUA deverão liderar o processo de verificação.
Mas, Zelensky ainda admitiu que não houve mesmo progresso quanto à questão territorial, um dos principais impasses nas negociações para pôr fim ao conflito iniciado há quase quatro anos. Entretanto, afirmou que a vertente militar das negociações com a Rússia decorre de forma construtiva. Além disso, assegurou hoje que a Ucrânia não está perdendo a guerra contra a Rússia, apesar do desfecho do conflito permanecer incerto e com um custo elevado. “Recentemente recuperamos cerca de 300 quilômetros quadrados no sul do país, numa contraofensiva que está em curso”, avançou.
Por outro lado, a Rússia insiste e exige que a Ucrânia entregue a região de Donbass, no leste do país, que ainda tem uma parte sob controle ucraniano, como condição para acabar com a guerra, enquanto Kiev rejeita ceder seus territórios que mantém sob domínio militar.
"Ainda existem oportunidades reais para terminar a guerra com dignidade e a pressão internacional poderá ser determinante para assegurar uma paz duradoura”, considerou Zelensky.
Enquanto isso, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, vão liderar no dia 24 de fevereiro uma videoconferência da "Coligação dos Dispostos", organismo que incluiu mais de 30 nações que apóiam a Ucrânia. A reunião da próxima semana está marcada para coincidir com o quarto aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Segundo a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, o bloco também pretende implementar o 20º pacote de sanções contra Moscou na segunda-feira (23). "Na próxima segunda-feira, pretendemos adotar o 20º pacote de sanções contra a Rússia. As sanções estão funcionando, estão prejudicando gravemente a economia russa e cada nova medida limita ainda mais a sua capacidade de travar a guerra"indicou Kallas.
Em contrapartida, o primeiro-ministro ultranacionalista da Hungria, Viktor Orbán, ameaçou nesta sexta-feira (20) bloquear o empréstimo da União Europeia de 90 bilhões de euros à Ucrânia até que Kiev retome o trânsito de petróleo russo para a Hungria. “Enquanto a Ucrânia bloquear o oleoduto Druzhba, a Hungria bloqueará o empréstimo de guerra ucraniano de 90 bilhões de euros. Não nos podem chantagear!”, afirmou Orbán, aliado de Vladimir Putin e que depende da energia russa.
O governo húngaro argumentou que o oleoduto Druzhba, que deixou de funcionar após um ataque russo, já está em condições de retomar o transporte de petróleo russo para a Europa Central e acusou Kiev de atrasá-lo por motivos políticos.