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Rússia anuncia local e data das próximas reuniões com EUA e Ucrânia

Será a primeira vez que o encontro acontecerá em um país europeu, anteriormente foi na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos.

Isabel Alvarez

Publicado: 13/02/2026 às 18:26

Porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov/foto: Sergey Bobylev/AFP

Porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov (foto: Sergey Bobylev/AFP)

Moscou anunciou que a próxima reunião das conversações para um acordo de paz com a Ucrânia, com a mediação dos Estados Unidos, será realizada nos dias 17 e 18 de fevereiro, em Genebra, na Suíça. É a primeira vez que o encontro acontecerá num país europeu, anteriormente foi na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos.

“A próxima rodada de negociações vai ocorrer num formato trilateral em Genebra, local escolhido porque as partes o consideraram conveniente e adequado para todos”, comunicou Dmitry Peskov, porta-voz presidencial da Rússia.

Peskov acrescentou que a delegação russa será formada por cerca de 15 autoridades e liderada pelo conselheiro de Vladimir Putin para assuntos culturais, Vladimir Medinsky, avaliado como um integrante da linha dura do governo Putin e não fez parte das rodadas anteriores de negociações trilaterais. Peskov também declarou que o encontro não irá ter a participação da União Europeia, nem de nenhum outro país europeu.

A nova reunião também foi confirmada por Dmytro Lytvyn, assessor do presidente da Ucrânia. A delegação ucraniana deverá ser anunciada dentro de alguns dias pelo secretário do Conselho da Ucrânia de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov.

Enquanto isso, os frequentes ataques russos as infraestruturas energéticas, em pleno inverno gélido e com temperaturas negativas, causa a Ucrânia cortes de luz e gás em quase 80% do território, que ficam privados de sistemas de aquecimento e muitas vezes de água. O país já perdeu mais de metade da capacidade de produção, apontou a segundo a Anistia Internacional.

Por outro lado, Umerov disse que espera que as negociações com a Rússia decorram de forma séria e responsável e que Kiev continua investindo na paz.

Na véspera, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, indicou que a previsão era de que a reunião fosse nos Estados Unidos, mas também havia assinalado que não era claro se as autoridades russas concordariam com a localização.

Já o jornal New York Times, que cita fontes ucranianas, avançou que Washington quer que a Ucrânia concorde com as concessões à Rússia e que a Casa Branca aumenta a pressão para se chegar a um acordo.

Segundo a mídia, as fontes relataram que o presidente dos EUA, Donald Trump, visa acabar com a guerra o mais rápido possível, de preferência no início do verão (no hemisfério norte). Uma vez que Trump quer ainda o foco voltado para as eleições intercalares, que se realizam em novembro. As eleições intercalares acontecem quase dois anos após o mandato do presidente e pode gerar um impacto da mesma dimensão no rumo do país. A maior parte da atenção dessas eleições está centrada nas duas Câmaras do Congresso: o Senado e a Câmara dos Deputados dos EUA, onde atualmente o partido republicano tem a maioria.

Em entrevista à publicação norte-americana The Atlantic, Zelensky também compartilhou da mesma opinião. “A situação mais vantajosa para Donald Trump seria alcançar o fim da guerra na Ucrânia antes das eleições intercalares norte-americanas. Sim, ele quer menos mortes. Mas, falando como adultos, seria uma vitória para ele, uma vitória política", afirmou.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, adiantou que enviou um convite ao chanceler chinês, porque considera que Pequim pode ajudar a acabar a guerra na Ucrânia. “A China pode desempenhar um importante papel em trazer uma paz justa para a Ucrânia. Apreciamos o apoio da China à integridade territorial e à soberania da Ucrânia e já tivemos uma conversa substantiva e pragmática”, citou Sybiha.

"As relações entre a China e a Ucrânia devem se manter no caminho certo. A China está pronta para prestar uma nova ajuda humanitária à Ucrânia", declarou Wang Yi, chefe da diplomacia chinesa, na Conferência de Segurança de Munique, que decorre na Alemanha.

A China nunca condenou a ofensiva russa na Ucrânia e se apresenta como neutra, mas apela regularmente a negociações de paz para pôr termo à guerra. No entanto, os governos ocidentais acusam Pequim de fornecer à Moscou um apoio econômico essencial nos esforços de guerra, como componentes militares para a sua indústria de defesa.

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