EUA confirma que estão sendo realizadas novas negociações sobre a Groenlândia
Vance, que lidera as conversações, afirmou que este tem sido o caminho para as negociações atuais e será esse o foco nos próximos meses
Publicado: 10/02/2026 às 20:37
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance ( Fadel SENNA / AFP)
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, admitiu nesta terça-feira (10) que decorrem novas negociações sobre a Groenlândia.
“Se vamos investir na segurança do Ártico, se vamos basicamente pagar muito dinheiro e nos responsabilizarmos pela proteção dessa enorme massa de terra, acho que é razoável que os Estados Unidos obtenham algum benefício em troca”, indicando que devem ter direitos nos vastos recursos minerais inexplorados da ilha e na expansão de bases militares norte-americanas.
Vance, que lidera as conversações, afirmou que este tem sido o caminho para as negociações atuais e será esse o foco nos próximos meses, além da localização estratégica da ilha, a base de Pituffik. Também insistiu novamente sobre a importância da Groenlândia para a segurança nacional dos EUA e ainda acusou os aliados de terem feito um investimento inferior ao que é necessário ou esperado na segurança da região ártica.
Recentemente, o vice-presidente dos EUA disse que os parceiros europeus estariam fazendo mais concessões a Washington sobre a Groenlândia do que reconheciam em público. "É engraçado por que os europeus são tão amigáveis em privado, e estão dispostos a fazer muitas concessões, e depois nos atacam publicamente”, ironizou.
Em contrapartida, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, apontou no último fim de semana que a situação entre Copenhague e Washington sobre a Groenlândia evoluiu positivamente nas últimas semanas, embora a crise ainda não tenha sido resolvida. “A crise não acabou e ainda não temos uma solução. Mas agora estamos em uma posição muito melhor em comparação com algumas semanas atrás”, comentou o chanceler.
Mas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, ainda estuda vários mecanismos para intensificar a presença e o poder norte-americano no território autônomo da Dinamarca, sem descartar possivelmente anexá-la como já ameaçou muitas vezes. Um dos pontos que reforça é o controle completo da região para garantir a segurança do seu país frente a países como a China e a Rússia.
Trump ainda especula estratégias de expandir a presença da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Ártico, adquirir soberania sobre zonas da ilha e impedir adversários de explorarem minerais na Groenlândia. No entanto, enfrenta oposição dos países europeus. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, são categóricos ao recusar veementemente ceder o território aos EUA e defendem a sua soberania.
O governo de Copenhagen inclusive já aumentou a sua presença militar na ilha, em cooperação com os aliados da Aliança Atlântica, entre eles, a Suécia, Noruega, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido, que enviaram grupos de militares para a região autônoma dinamarquesa. A Dinamarca justificou os exercícios com a necessidade de treinar a capacidade das suas forças militares para operarem em condições árticas e chegou a convidar os EUA a participarem das manobras.
Anteriormente, a pressão do governo Trump para aumentar o controle norte-americano sobre a ilha ártica veio com ameaças de impor tarifas de 25% sobre produtos da União Europeia (UE) se a Dinamarca não cedesse, porém depois do avanço nas conversas com o chefe da OTAN, no Fórum Econômico de Davos, foi anunciado o esboço de uma "estrutura de acordo" para o acesso estratégico à zona. Trump disse que negociou “acesso total" à Groenlândia para garantir a segurança no Ártico, centralizado em combater a influência russa e chinesa na região.
Enquanto isso, para reforçar o apoio à Dinamarca e à ilha ártica, o Canadá e a França inauguraram recentemente consulados em Nuuk, capital da Groenlândia. Uma iniciativa que outros países europeus pretendem adotar.