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GUERRA NA UCRÂNIA

Anistia Internacional condena ataques às infraestruturas da Ucrânia que enfrenta riscos num inverno rigoroso

Desde o inicio do inverno, marcado por temperaturas negativas na Ucrânia, Moscou focou e intensificou suas ofensivas na destruição da infraestrutura de energia

Estadão Conteúdo

Publicado: 10/02/2026 às 15:25

A secretária-geral do organismo, Agnès Callamard/Fabrice Coffrini/AFP

A secretária-geral do organismo, Agnès Callamard (Fabrice Coffrini/AFP)

Nesta terça-feira (10), a Anistia Internacional divulgou uma investigação sobre a situação difícil dos ucranianos, que enfrentam o inverno mais rigoroso desde a invasão russa, em 2022. A secretária-geral do organismo, Agnès Callamard, denunciou que os consecutivos e deliberados ataques russos às infraestruturas energéticas são uma forma de espalhar o desespero.

“A Rússia não está apenas travando uma guerra de agressão contra a Ucrânia, está submetendo toda a população civil a uma campanha de extrema crueldade”, acusou Callamard.

Desde o inicio do inverno, marcado por temperaturas negativas na Ucrânia, Moscou focou e intensificou suas ofensivas na destruição da infraestrutura de energia, debilitando sua produção e afetando o acesso a aquecimento, gás e água quente. As forças russas realizam bombardeios diários que deixam com que quase 80% do território da Ucrânia tenham cortes de energia, num momento em que os termômetros chegam a -15º até -30º graus.

Segundo a Anistia Internacional muitas pessoas buscam sobreviver semanas com fornecimento de eletricidade intermitente ou sem qualquer eletricidade e aquecimento. “Muitos residentes têm recorrido para não congelar e ter hipotermia a acampamentos e fogões a querosene para aquecer tijolos e garrafas de água. Alguns apelam ainda na montagem de tendas de acampamento dentro dos seus quartos e acendem velas dentro delas para combater o frio”, relata.

A investigação constatou ainda inúmeros casos de idosos e pessoas com deficiência que vive em isolamento sem qualquer meio de comunicação e sérias dificuldades de locomoção, alertando que a maioria pode não resistir.

O Vaticano anunciou hoje que o Papa Leão 14 enviou 80 geradores elétricos e medicamentos para a Ucrânia para ajudar as pessoas que sofrem com as consequências da guerra e do frio gélido.

 

Guerra híbrida

Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques que a Ucrânia sofre neste inverno ao seu setor energético resultam de técnicas de guerra híbrida por parte da Rússia. "Este é o objetivo da guerra híbrida, dividir a sociedade para enfraquecê-la e destruí-la. Se destróis os civis, o Exército também será destruído, ou pelo menos o risco é elevado. Isso é o que o inimigo está fazendo", indicou, acrescentando que lamenta não dispor dos recursos que a Rússia tem para responder de forma recíproca aos últimos bombardeios de Moscou.

A empresa energética nacional da Ucrânia comunicou que as restrições de fornecimento elétrico no país se reduziram drasticamente em algumas regiões, após os últimos ataques massivos. "A situação do sistema elétrico permanece difícil. O nível de falta de energia e os danos causados nas redes de transmissão e distribuição não permitem pôr fim aos apagões de emergência na maioria das regiões. Os funcionários trabalham sem descanso para tentar repor serviços", informou.

O governo ucraniano busca transferir as suas subestações para o subsolo, enquanto prepara uma proteção de longo prazo contra os ataques russos às suas infraestruturas críticas, uma vez que a Rússia tenta cortar por completo o fornecimento de eletricidade ao país. "Mudar as subestações para o subsolo pode ser um dos elementos importantes para a segurança energética e a resiliência no futuro. Mas isso levará anos e milhões de euros", explicou Oleksandr Kharchenko, diretor-geral do Centro de Investigação da Indústria Energética, com sede em Kiev.

Enquanto isso, os Estados Unidos querem que a guerra entre Ucrânia e Rússia acabe até junho, segundo adiantou Zelenski, apesar das declarações contrastarem com os intensos combates no terreno.

Por outro lado, o Kremlin anunciou há instantes que ainda não há uma data definida para a próxima rodada de conversações de paz, mas que devem ser retomadas em breve.

As autoridades russas, ucranianas e norte-americanas se encontraram na semana passada em Abu Dhabi para uma reunião de negociações trilaterais. No entanto, o encontro não resultou em avanços significativos, além da troca de 314 prisioneiros de guerra, a primeira desde outubro passado.

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