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Tratado nuclear

Estados Unidos e Rússia pretendem retomar diálogo militar

A decisão surge após avanços produtivos e construtivos nas conversações do fim da guerra

Isabel Alvarez

Publicado: 05/02/2026 às 13:12

Esta fotografia, divulgada pela agência estatal russa Sputnik, mostra uma cerimônia de hasteamento da bandeira naval a bordo do mais recente submarino nuclear estratégico do Projeto 955A (Borey-A), Knyaz Pozharsky, em Severodvinsk, no dia 24 de julho de 2025./ AFP

Esta fotografia, divulgada pela agência estatal russa Sputnik, mostra uma cerimônia de hasteamento da bandeira naval a bordo do mais recente submarino nuclear estratégico do Projeto 955A (Borey-A), Knyaz Pozharsky, em Severodvinsk, no dia 24 de julho de 2025. ( AFP)

Nesta quinta-feira (05), o Pentágono comunicou que os Estados Unidos e a Rússia decidiram, durante as negociações de paz sobre a Ucrânia em Abu Dhabi, retomar o diálogo entre militares de alto escalão sobre o tratado nuclear entre os dois países.

"Manter o diálogo entre os exércitos é um fator importante para a estabilidade e a paz no mundo, que só podem ser alcançadas pela força, e oferece uma forma de aumentar a transparência e promover a desescalada. O general Alexus Grynkewich, do Comando Europeu dos EUA, pretende manter um diálogo militar com o chefe do Estado-Maior da Federação Russa, o general Valery Gerasimov, a fim de evitar erros de cálculo e prevenir qualquer escalada involuntária de ambos os lados", afirmou em comunicado o Comando Europeu das Forças Armadas Americanas.

A decisão surge após avanços produtivos e construtivos nas conversações do fim da guerra, nas quais participaram o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, e o seu genro Jared Kushner, indicou o comunicado.

A informação também chega horas após expirar o chamado Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (NewStart, na sigla em inglês), um acordo entre as partes que prevê limites aos mísseis, lançadores e as ogivas estratégicas nucleares de longo alcance desenvolvidas pelos norte-americanos e russos, sendo o último de uma série de acordos nucleares que remontam à Guerra Fria.

Segundo adiantou o site de notícias Axios, Washington e Moscou estão próximos de alcançar um acordo para prolongar o prazo do New START, possivelmente por seis meses. Fontes do Axios revelaram que as conversações decorrem ao longo das últimas 24 horas na capital dos Emirados Árabes Unidos, mas que ainda não foi acordada a prorrogação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que conversou com o presidente da China, Xi Jinping, na quarta-feira (04), disse pretender que Pequim seja incluído no acordo de redução nuclear. Por outro lado, o governo chinês afirmou hoje que não participará de negociações sobre o tratado nuclear.

“As forças nucleares da China não estão no mesmo nível das dos Estados Unidos e da Rússia, e a China não participará das negociações de desarmamento nesta fase. A China tem aderido consistentemente a uma estratégia nuclear de autodefesa, respeitado a política de não ?uso primeiro de armas nucleares e assumido compromissos incondicionais de não usar ou ameaçar usar armas nucleares contra Estados não nucleares ou zonas livres de armas nucleares”, anunciou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
Já a Casa Branca informou esta semana que Trump iria decidir o caminho a seguir no controle de armas nucleares e que iria esclarecê-lo no seu próprio cronograma.

Enquanto isso, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia está pronta para dialogar com Washington, desde que responda de forma construtiva à sua proposta para continuar a cumprir os limites do New START.


O New START foi assinado em 2010 entre o então presidente dos EUA, Barack Obama, e o líder da Rússia, Dmitry Medvedev, entrando em vigor no ano seguinte. O acordo, com duração de dez anos, permitia uma única prorrogação por cinco anos, que foi assinado pelo ex-presidente Joe Biden e pelo presidente russo Vladimir Putin. Qualquer nova prorrogação exigiria uma decisão executiva para estender voluntariamente os limites do tratado. Em 2023, após o apoio dos EUA à Ucrânia, Moscou decidiu suspender a participação no tratado, no entanto assegurou que continuaria a cumprir os termos determinados. Porém, sem compartilhar informações e sem permitir a inspeção do seu arsenal por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e dos Estados Unidos.

Os especialistas internacionais alertam que a não renovação do New START favorece uma corrida armamentista nuclear desenfreada.

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