Sobe para mais de 400 o número de mortos em desabamento de mina na RD Congo
O desabamento aconteceu na última quinta-feira (29)
Publicado: 02/02/2026 às 17:16
Vista geral do local de um enorme deslizamento de terra em uma mina de coltan (AFP)
O número de mortos num desmoronamento de terras numa mina de coltan no leste da República do Congo já superou mais de 400 pessoas. "Já ultrapassamos os 400 mortos, incluindo mineiros artesanais e comerciantes, provenientes não só de Masisi, mas também de territórios vizinhos e até de países próximos, que vêm trabalhar aqui. Portanto, a tragédia é enorme", comunicou o presidente da sociedade civil de Masisi, Telesphore Nitendike.
O desabamento aconteceu na última quinta-feira, nas minas de Rubaya, que ficam em Mupfuni Kibabi, território de Masisi, na província de Kivu do Norte, um território sob controle do grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23). No sábado, o governo congolês denunciou um sistema organizado de saque e exploração ilegal de recursos naturais por parte do M23.
“Antes dos rebeldes terem tomado o controle da zona, o governo havia classificado a localidade como vermelha. Esta classificação impõe a proibição de toda atividade de exploração e comercialização de substâncias minerais, incluindo a mineração artesanal. Portanto, as atividades de extração que se realizam neste local constituem uma violação flagrante da lei e não respeitam nenhuma norma de segurança", indicou as autoridades governamentais.
Por sua vez, o conflito no leste da RD Congo se agravou no final de janeiro de 2025, quando o M23 tomou o controle de Goma, capital da Província do Kivu do Norte e, semanas depois, de Bukavu, capital da vizinha Província do Kivu do Sul, após combates com o Exército do país. As duas províncias são ricas em minerais como o coltan, essenciais para a indústria tecnológica na fabricação de celulares.
Os acidentes em ninas são frequentes na RD Congo, onde a maioria é explorada de modo artesanal e sem seguir as regulamentações e medidas de segurança necessárias, além de que, em muitos casos, são operadas por grupos armados.
Desde 1998, o leste do Congo vive um conflito alimentado por grupos rebeldes e pelo Exército, apesar do destacamento de uma missão de paz das Nações Unidas.