EUA alertam o Canadá e o Reino Unido sobre relações com a China
Depois de anos de relações diplomáticas tensas com a China, o Reino Unido agora busca reforçar os laços com o seu terceiro maior parceiro comercial
Publicado: 30/01/2026 às 19:32
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista coletiva ( SAUL LOEB / AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que é muito arriscado para o Reino Unido e o Canadá estabelecer relações comerciais com a China.
"É muito perigoso para eles fazerem isto", alertou Trump após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que visitou Pequim na quinta-feira (29), ter afirmado ser vital para o seu país melhorar as relações com o governo chinês. Por sua vez, o presidente da China, Xi Jinping, e Starmer saudaram a melhoria dos laços entre os seus países, que consideraram necessárias embora ainda haja divergências graves.
Mas, Trump também ameaçou recentemente impor tarifas alfandegárias de 100% sobre produtos canadenses caso seja concretizado um acordo comercial bilateral com Pequim assinado com a China durante a recente visita do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, a Pequim.
"Acho que é ainda mais perigoso para o Canadá fazer negócios com a China. O Canadá não está bem e não se pode olhar para a China como uma solução. Conheço muito bem a China. Sei que o presidente Xi é meu amigo. Mas isso é um grande obstáculo quando se trata do Canadá”, enfatizou.
Já o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, avaliou que é muito difícil que os esforços de Starmer com Pequim dessem resultados. “Os chineses são os maiores exportadores e são muito, muito difíceis quando se tenta exportar para eles. Portanto, boa sorte para os britânicos se tentarem exportar para a China. É muito improvável”, disse Lutnick, acrescentando que não acredita que Trump irá impor tarifas ao Reino Unido.
Enquanto isso, Starmer, defendeu a sua ida à Pequim como um modo de restaurar a confiança mútua e reforçar as relações comerciais com os chineses. O primeiro-ministro britânico obteve no encontro com Jinping uma redução das tarifas de exportação de whisky e um acordo de cooperação para combater a imigração.
Por outro lado, Pequim conferiu ao Reino Unido isenção de visto para os britânicos que permaneçam na China por menos de 30 dias, o que Londres elogia como forma de facilitar o acesso às oportunidades econômicas do mercado chinês aos empresários britânicos. “Isto é simbólico o que estamos fazendo com esta relação. Estas discussões permitiram fazer progressos reais e é assim que construímos a confiança e o respeito mútuos que são tão importantes”, comemorou Starmer.
No total, foram assinados cerca de dez acordos de cooperação e os dois governos concordaram em realizar um estudo de viabilidade para explorar a possibilidade de iniciar negociações sobre um acordo bilateral de serviços. A gigante farmacêutica britânica AstraZeneca também já anunciou a sua intenção de investir 15 bilhões de dólares na China até 2030.
Depois de anos de relações diplomáticas tensas com a China, o Reino Unido agora busca reforçar os laços com o seu terceiro maior parceiro comercial.