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Zelensky diz que controle de territórios será discutido na inédita reunião trilateral sobre a guerra

O encontro também foi confirmado pelo Kremlin durante a madrugada, depois da reunião em Moscou entre o presidente russo, Vladimir Putin, o enviado norte-americano Steve Witkoff

Isabel Alvarez

Publicado: 23/01/2026 às 13:19

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky discursa durante uma coletiva de imprensa com o presidente dos EUA Donald Trump após conversas na residência de Trump em Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida, em 28 de dezembro de 2025. (Foto de Jim WATSON / AFP)/ AFP

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky discursa durante uma coletiva de imprensa com o presidente dos EUA Donald Trump após conversas na residência de Trump em Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida, em 28 de dezembro de 2025. (Foto de Jim WATSON / AFP) ( AFP)

Nesta sexta-feira (23), o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que na reunião trilateral com as delegações ucraniana, russa e norte-americana, que acontece hoje nos Emirados Árabes Unidos, a questão do controle sobre os territórios será um dos temas discutidos.

"A questão do Donbass, território no leste da Ucrânia, incluindo as regiões de Donetsk e Lugansk, é fundamental", declarou na coletiva de imprensa.

O encontro também foi confirmado pelo Kremlin durante a madrugada, depois da reunião em Moscou entre o presidente russo, Vladimir Putin, o enviado norte-americano Steve Witkoff e o genro de Donald Trump, Jared Kushner.

"Ficou acordado que a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral sobre questões de segurança será realizada hoje em Abu Dhabi. A equipe russa é liderada pelo general Igor Kostyukov, um alto funcionário do Estado-Maior", informou o conselheiro da diplomacia da Rússia, Yuri Ushakov.

Por sua vez, Kiev será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, o chefe de gabinete Kyrylo Budanov, o vice-chefe de gabinete Serhiy Kyslytsia, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andriy Gnatov.

Na delegação dos EUA além de Witkoff e Kushner, o conselheiro da Casa Branca Josh Gruenbaum também participa do encontro trilateral.

Criticas a UE

Na quinta-feira, em Davos, Zelensky ainda criticou os aliados europeus, apontando a Europa como fragmentada e perdida em relação à influência sobre as posições do presidente dos Estados Unidos e à falta de vontade política de Putin.

As críticas aos principais apoiadores políticos e financeiros de Kiev ocorreram depois do encontro com Trump em Davos, Suíça, que, segundo Zelensky, resultou num acordo sobre garantias de segurança para a Ucrânia. “O diálogo com Trump não foi simples”, reconheceu, acrescentando que apesar disso foi positivo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, reagiu às críticas e admitiu que a União Europeia (UE) nunca igualará o sacrifício do povo ucraniano, no entanto lembrou que o bloco é quem mais apoiou o país, com um valor superior a 193 bilhões de euros. "Sabemos que nunca igualaremos o sacrifício do povo ucraniano, mas o que podemos fazer é estar ao seu lado e penso que os números de fundos de apoio à Ucrânia falam por si, assim como o empenho pessoal de todos nós. Somos quem mais apoiou a Ucrânia e o Conselho Europeu acabou de decidir adicionar mais 90 bilhões de euros para os próximos dois anos. As ações valem mais do que as palavras", declarou.

Além disso, a União Europeia anunciou que enviará 447 geradores de emergência para a Ucrânia, num momento em que inúmeras cidades estão sem energia por causa dos consecutivos ataques russos as suas infraestruturas energéticas.

"À medida que se aproxima o quarto aniversário da invasão, compreendemos e partilhamos a frustração de Zelensky relativa à continuação da guerra bárbara. O Reino Unido sempre tomou medidas decisivas em relação à Ucrânia, incluindo a liderança da Coligação dos Dispostos. Empenhamos 1,2 bilhões de libras em apoio bilateral e também em apoio humanitário. Enquanto a diplomacia continua, apoiamos a Ucrânia para garantir a defesa", respondeu o porta-voz do primeiro-ministro britânico em alusão às criticas do líder ucraniano.

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