Cúpula extraordinária da União Europeia avalia situação com os EUA
Enquanto isso, o Parlamento europeu suspendeu na quarta-feira (21), por tempo indeterminado, o processo de ratificação do acordo comercial que havia sido estabelecido entre a União Europeia e os Estados Unidos
Publicado: 22/01/2026 às 16:12
Conselho Europeu (FREDERICK FLORIN/AFP)
Os líderes da União Europeia se reúnem hoje para analisar os avanços e recuos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump em relação à Groenlândia. Considerando a ainda frágil confiança transatlântica, a reunião da UE deve determinar agora a posição dos líderes europeus diante da crise com os EUA.
"Quando a Europa não está dividida, quando se mantém unida, quando é clara e firme, incluindo na vontade para se defender, os resultados aparecem. Acho que aprendemos algo nos últimos dias e semanas e agora claro que queremos encontrar uma solução sobre a Groenlândia", apontou Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca na chegada à reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.
Frederiksen também destacou que pediu à OTAN para estar mais presente no Ártico, considerando que é uma vontade compartilhada por todos os membros da Aliança, e defendeu que é importante haver uma presença permanente na região, incluindo à volta da Groenlândia. "Queremos reforçar a segurança no Ártico através de iniciativas importantes, incluindo uma missão mais permanente da OTAN na Groenlândia e uma maior presença militar e mais manobras. Vamos discutir numa maneira mais tradicional, política e diplomática com os Estados Unidos, no âmbito da nossa relação bilateral. Acho que é claro para todos que nós somos um Estado soberano e isso não é negociável, porque é uma parte básica dos valores democráticos, mas claro que podemos discutir com os EUA como é que podemos reforçar a nossa cooperação em termos de segurança na região do Ártico", disse.
Em Davos, Trump declarou que não usará a força para tomar a ilha ártica, anunciou também um projeto de acordo alcançado com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sobre a Groenlândia, e que não serão aplicadas as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra oito países europeus. Trump parece ter recuado no tom, mas ainda mantém o discurso de coerção.
Mas, Frederiksen já se pronunciou sobre se cederia alguma parte do território da Groenlândia aos EUA para a ampliação de bases militares. “A soberania da Dinamarca não pode ser questionada. Isso não pode ser alterado. Estamos disponíveis para trabalhar juntos sobre segurança, como sempre fizemos, mas as nossas linhas vermelhas são que os nossos valores democráticos não podem ser questionados", indicou.
Por sua vez, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, garantiu desconhecer o que Trump e Rutte decidiram no projeto de acordo da ilha autônoma dinamarquesa. "Ninguém além da Groenlândia e da Dinamarca tem autoridade para fazer acordos sobre a ilha e o Reino da Dinamarca", reiterou.
Enquanto isso, o Parlamento europeu suspendeu na quarta-feira (21), por tempo indeterminado, o processo de ratificação do acordo comercial que havia sido estabelecido entre a União Europeia e os Estados Unidos. O presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que não haverá qualquer avanço enquanto persistirem ameaças à Groenlândia.