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Europeus se mobilizam frente às ameaças dos EUA sobre a Groenlândia

Desde que voltou ao poder, há um ano, o presidente americano insiste em tomar esta enorme ilha, situada entre a América do Norte e a Europa

AFP

Publicado: 18/01/2026 às 13:25

Emmanuel Macron, presidente da França, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/Thibault Camus e ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/various sources/AFP

Emmanuel Macron, presidente da França, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Thibault Camus e ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/various sources/AFP)

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chefe do governo italiano, Giorgia Meloni, elevaram o tom, neste domingo (18), frente às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de aumentar as tarifas para vários países europeus que se opõem a que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.

Desde que voltou ao poder, há um ano, o presidente americano insiste em tomar esta enorme ilha, situada entre a América do Norte e a Europa, alegando razões de segurança nacional diante dos avanços russos e chineses no Ártico.

No sábado, Trump intensificou suas advertências em reação ao envio, nos últimos dias, de um pequeno contingente de militares europeus à ilha para dar apoio a manobras dinamarquesas.

"Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia se deslocaram para a Groenlândia com fins desconhecidos (...) Estes países, que estão jogando um jogo extremamente perigoso, introduziram um nível de risco que não é viável, nem sustentável", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.

Irritado com esta mobilização de forças, o presidente americano ameaçou estes países com a imposição de novas tarifas até que "se chegue a um acordo para a compra completa e íntegra da Groenlândia".

As tarifas de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro e poderiam subir para 25% em 1º de junho.

Diante destas ameaças, o presidente francês afirmou que tem a intenção de pedir a ativação do Instrumento Anti-coerção da União Europeia, cuja aplicação requer maioria qualificada.

Este mecanismo é concebido para lutar contra ameaças econômicas de membros externos ao bloco. Permite, entre outros, congelar o acesso aos mercados públicos europeus ou bloquear determinados investimentos.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, assegurou, por sua vez, ter falado com Trump para afirmar que, em sua avaliação, suas ameaças de impor novas tarifas aduaneiras a vários países europeus eram um "erro".

O ministro holandês das Relações Exteriores, David van Weel, também qualificou estas advertências como "incompreensíveis" e "inapropriadas".

"É chantagem. O que (Trump) está fazendo agora é chantagem", disse Van Weel em declarações ao programa de TV WNL Op Zondag.

Sua colega irlandesa, Helen McEntee, considerou estas ameaças como "totalmente inaceitáveis".

A ministra britânica da Cultura, Lisa Nandy, declarou à BBC, que "dado o contexto", Londres considera que esta controvérsia sobre as tarifas "é um erro" e a considera "profundamente desnecessária e contraproducente".

Reunião de emergência

Paralelamente, os embaixadores da União Europeia vão se reunir em caráter de urgência neste domingo em Bruxelas, enquanto Macron tem previsto se reunir com seus pares europeus para abordar esta crise inédita entre membros da Otan.

O ministro dinamarquês de Assuntos Exteriores iniciou, neste domingo, uma visita diplomática a Noruega, Reino Unido e Suécia, três aliados próximos e membros da Otan, para discutir o fortalecimento do papel da Aliança Atlântica na segurança na região do Ártico.

Lars Løkke Rasmussen estará em Oslo neste domingo, antes de seguir na segunda-feira para Londres e na quinta-feira para Estocolmo.

Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump usa as tarifas em suas relações internacionais para exercer pressão e alcançar seus objetivos, inclusive com parceiros tradicionais de Washington.

Mas neste caso, trata-se de uma ameaça sem precedentes: os Estados Unidos, pilares da Otan, ameaçam com sanções seus aliados dentro da Aliança para se apoderar de um território vinculado à Dinamarca, um de seus sócios e um país soberano e democrático.

No sábado, milhares de pessoas protestaram em Copenhague, capital da Dinamarca, e Nuuk, capital da Groenlândia, para denunciar estas ambições territoriais, repetindo, em coro, "A Groenlândia não está à venda!".

Segundo uma pesquisa publicada em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses se opunham à anexação da ilha aos Estados Unidos, enquanto apenas 6% eram favoráveis.

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