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EUA são convidados a participar dos exercícios militares na Groenlândia

As Forças Armadas da Dinamarca na Groenlândia são lideradas pelo Comando Conjunto do Ártico

Isabel Alvarez

Publicado: 16/01/2026 às 19:57

Groenlândia /Olivier MORIN/AFP

Groenlândia (Olivier MORIN/AFP)

Segundo o general dinamarquês, Søren Andersen, os Estados Unidos foram convidados a participar dos exercícios militares na Groenlândia, que irão decorrer na ilha ao longo de 2026. As Forças Armadas da Dinamarca na Groenlândia são lideradas pelo Comando Conjunto do Ártico. "É claro que os Estados Unidos, como membro da OTAN, estão convidados", afirmou Andersen, acrescentando que falou igualmente com outros aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Além disso, Andersen assegurou que não existem navios russos ou chineses perto da Groenlândia, desmentindo uma das frequentes alegações do presidente norte-americano para justificar a necessidade de segurança dos Estados Unidos para assumirem o controle da ilha.

O governo de Copenhagen, por sua vez, já aumentou a sua presença militar na ilha, em cooperação com os aliados, entre eles, a Suécia, Noruega, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido, que já anunciaram também o envio de grupos de militares para a região autônoma dinamarquesa.

A Dinamarca justificou os exercícios e o seu alargamento aos aliados da OTAN com a necessidade de treinar a capacidade das suas forças militares para operarem em condições árticas. “A decisão irá reforçar ainda a presença da aliança no Ártico, em benefício da segurança europeia e transatlântica”, explicou.

As manobras militares do contingente incluirão a proteção de infraestruturas críticas, o apoio às autoridades locais na Groenlândia, inclusive a polícia, o acolhimento de tropas aliadas, o destacamento de aviões de combate na Groenlândia e arredores e a realização de operações navais.

O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund-Poulsen, disse que ainda não tem um número final para a presença expansionista de soldados da OTAN na Groenlândia. "Mas é claro que agora poderemos planejar uma participação maior e mais permanente ao longo de 2026, e isso é crucial para mostrar que a segurança no Ártico não é apenas para o Reino da Dinamarca, mas para toda a Aliança Atlântica”, afirmou.

 

Reação de Trump

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou hoje que poderá punir com tarifas os países que não apoiarem o controle norte-americano da Groenlândia.

"Não creio que o destacamento de tropas na Europa tenha qualquer impacto nas decisões do presidente, e muito menos no seu objetivo de anexar a Groenlândia", declarou a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt.

No entanto, os líderes europeus insistem que somente o Reino da Dinamarca e à Groenlândia podem decidir sobre os assuntos relacionados com o território.

Em Copenhagen, uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA procura diminuir as tensões na capital dinamarquesa. O grupo de senadores e membros da Câmara dos Representantes norte-americanos se reuniu nesta sexta-feira (16) com deputados e dirigentes dinamarqueses e groenlandeses, entre os quais, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

No final do encontro, o líder da delegação de Washington, o senador democrata Chris Coons, agradeceu aos anfitriões por 225 anos como um aliado e parceiro bom e confiável. "Tivemos um diálogo forte e robusto sobre como prolongar isso no futuro", garantiu.

A senadora republicana Lisa Murkowski, apontou após a reunião que a visita foi o reflexo de uma relação forte ao longo de décadas. "É uma relação que precisamos de continuar a cultivar", frisou.

“A anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos está fora de questão", afirmou categoricamente o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen.

No sábado (17) estão previstas diversas manifestações, em Nuuk e na Dinamarca, contra as pretensões de Trump em anexar a ilha ártica.

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