EUA acusam a Rússia de uma perigosa e inexplicável escalada na guerra contra a Ucrânia
Os EUA lamentaram o número de vítimas no conflito e condenaram a intensificação dos ataques da Rússia às infraestruturas energéticas
Publicado: 13/01/2026 às 18:54
Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce (foto: AFP)
Na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a embaixadora adjunta dos Estados Unidos na ONU, Tammy Bruce, acusou a Rússia de uma perigosa e inexplicável escalada da guerra na Ucrânia.
Bruce também destacou o recente lançamento pela Rússia do míssil balístico russo Oreshnik, com capacidade nuclear, perto da fronteira da Ucrânia com a Polônia, um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). “Os ataques aconteceram num momento de tremendo potencial devido apenas ao compromisso sem paralelo do presidente Donald Trump com a paz em todo o mundo. Os EUA lamentam o número surpreendente de vítimas no conflito e condena a intensificação dos ataques da Rússia às infraestruturas energéticas e outras”, disse a diplomata norte-americana.
Apesar das conversações de paz que se arrastam há meses entre Washington e Moscou, o Kremlin não sinalizou estar disposto a ceder nas suas exigências em relação ao território ucraniano, sobretudo na anexação de quatro regiões ocupadas pelas suas forças.
Por outro lado, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, culpou exclusivamente Kiev pelo impasse diplomático e afirmou no Conselho de Segurança que, até que o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskyy volte a si e aceite condições realistas para as negociações, o problema persistirá a ser resolvido por meios militares. "Há muito que Zelenskyy foi avisado de que, a cada dia que passa, a cada dia que desperdiça, as condições para as negociações só vão piorar para ele. Da mesma forma, cada ataque vil contra civis russos provocará uma resposta dura", garantiu Nebenzia.
Em resposta, o embaixador ucraniano nas Nações Unidas, Andriy Melnyk, apontou que a Rússia está mais vulnerável agora do que em qualquer outro momento, uma vez que sua economia desacelera e as receitas do petróleo diminuíram. "A Rússia quer vender a este Conselho e a toda a família das Nações Unidas à impressão de que é invencível, mas isso é outra ilusão. A imagem de força cuidadosamente encenada não passa de fumaça e espelhos, completamente desligada da realidade", argumentou Melnyk.
Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou hoje que foi lançada uma nova grande ofensiva contra as instalações energéticas e militares ucranianas. "As forças armadas russas lançaram um ataque massivo com armas terrestres de precisão e drones contra instalações de infraestruturas energéticas usadas nos interesses das forças armadas da Ucrânia e empresas do complexo militar-industrial", diz o comunicado do ministério.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse nesta terça-feira (13), que a intensa onda de ataques a Kiev deixaram milhares de pessoas sem luz enquanto as temperaturas estão abaixo de zero. "A Rússia lançou mais de 300 drones contra a Ucrânia durante a noite, assim como 18 mísseis balísticos e sete mísseis de cruzeiro. No total, oito regiões foram atacadas, incluindo Kiev, onde a situação na região não é fácil. Mais uma vez, o principal alvo do ataque foram as nossas instalações de geração de energia e subestações", acusou.
A Ukrenergo, operadora estatal da rede elétrica ucraniana, informou que cerca de 70% da capital do país está sem eletricidade em decorrência do ataque. "Os russos estão tentando isolar a cidade e obrigar as pessoas a se mudarem de Kiev", afirmou Vitaliy Zaichenko, CEO da Ukrenergo, acrescentando que diversas subestações foram atingidas durante a noite.
“Cerca de 500 edifícios estão sem aquecimento e há uma grave escassez de eletricidade, mesmo para infraestruturas críticas", relataram as autoridades da capital.
Nos arredores de Kharkiv, no noroeste da Ucrânia, os bombardeios na também atingiam uma clínica pediátrica. Na região, quatro pessoas morreram e seis pessoas estão feridas em estado grave.
A Rússia tem repetidamente atacado a infraestrutura energética da Ucrânia visando causar o máximo de perturbação no fornecimento de aquecimento no inverno e provocar apagões no país.
Reunião de emergência na OSCE
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, anunciou que o governo de Kiev requisitou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) uma reunião de emergência, que será realizada no dia 15. O encontro tem o objetivo de analisar os ataques russos a cidades ucranianas e o seu desrespeito pelos esforços de paz liderados pelos EUA.
"Não há nem haverá pausas na pressão sobre a Rússia, incluindo em fóruns internacionais, enquanto o Estado terrorista estiver determinado a levar a cabo a sua guerra genocida de agressão. Após uma série de reuniões de emergência, incluindo as do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da OTAN, na quinta-feira (15), a pedido da Ucrânia, os ataques russos e o desrespeito pelos esforços de paz liderados pelos EUA serão abordados pela OSCE", adiantou Sybiha.