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Rubio irá se reunir com autoridades dinamarquesas para discutir a Groenlândia

As autoridades da Dinamarca e a Groenlândia solicitaram a reunião após Trump e os seus conselheiros intensificarem o desejo de controlar a ilha ártica

Isabel Alvarez

Publicado: 07/01/2026 às 19:08

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio/MANDEL NGAN / AFP

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (MANDEL NGAN / AFP)

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou hoje planos para se reunir com os representantes da Dinamarca na próxima semana para discutir a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adquirir a Groenlândia.

“Não estou aqui para falar sobre a Dinamarca ou intervenção militar, vou me encontrar com eles na próxima semana, teremos essas conversas com eles então, mas não tenho mais nada a acrescentar a isso", disse Rubio ao ser interpelado no Congresso dos EUA.

Trump reiterou esta semana a ideia de aquisição da ilha autônoma dinamarquesa alegando que é uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos e não descartou ainda o uso de força militar como uma opção para ter o controle na região do Ártico.

Rubio, por sua vez, afirmou que obter a Groenlândia sempre foi à intenção do presidente desde o início. "Ele não é o primeiro presidente dos EUA que examinou ou analisou como poderíamos adquirir a ilha", justificou.

As autoridades da Dinamarca e a Groenlândia solicitaram a reunião com o chefe da diplomacia norte-americana após Trump e os seus conselheiros ter insistido nos últimos dias o desejo de controlar a ilha ártica, aumentando os receios depois da operação militar sem precedentes dos EUA para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Já as tensões escalaram entre Copenhagen e Washington desde o recente anúncio de Trump, no final de dezembro, sobre a nomeação de um enviado especial para a ilha e a insistência de que os EUA ‘precisam’ da Groenlândia por questões de segurança e devido às crescentes ameaças da China e da Rússia no Ártico.

O tom subiu ainda com alguns membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), lembrando que a Dinamarca também faz parte da aliança atlântica e é um aliado histórico de Washington. Diversos países membros da OTAN emitiram na terça-feira (06) um comunicado conjunto em defesa da segurança no Ártico como uma primazia para a Europa e instaram os EUA a defenderem os princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo soberania, integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. “A Groenlândia também deverá, em principio, ser defendida pela OTAN, uma vez que a Dinamarca faz parte da aliança militar ocidental” ressaltou o ministro das Relações Exteriores da Alemanha.

Os líderes de França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido destacaram na nota divulgada que a ilha pertence ao seu povo.

Enquanto a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, avisou que uma tomada de poder pelos EUA equivaleria ao fim da OTAN.


Os chanceleres nórdicos enfatizaram num comunicado conjunto que os assuntos relativos à Dinamarca e à Groenlândia devem ser decididos exclusivamente por ambos.

E o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, já disse que chegou o momento de Trump parar com as incessantes pressões sobre a anexação da região autônoma dinamarquesa no Ártico. "Basta! Chega de pressões. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos a discussões. Mas isto deve ser feito através dos canais adequados e de acordo com o direito internacional", afirmou Nielsen.

Além disso, o parlamento da Dinamarca também realizou ontem uma reunião de urgência entre o governo dinamarquês e a comissão parlamentar das Relações Exteriores sobre as relações entre o reino da Dinamarca e os Estados Unidos.

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