Israel mantém proibição de jornalistas estrangeiros em Gaza
Os jornalistas estrangeiros têm sido impedidos de entrar livremente em Gaza desde outubro de 2023, quando teve inicio a guerra
Publicado: 06/01/2026 às 19:01
Jornalistas em Gaza ( AFP)
O governo de Tel Aviv continua recusando a entrada de jornalistas na Faixa de Gaza, de acordo com um documento que foi enviado ao Supremo Tribunal Israel, que deve decidir este assunto, discutido há mais de um ano.
"Apesar de uma mudança da situação de fato no terreno, a entrada de jornalistas, tanto estrangeiros como não estrangeiros na Faixa de Gaza sem escolta não deve ser autorizada Isto se deve a razões de segurança, na base da posição das autoridades militares, que estimam que ainda exista um risco de segurança", justificou o procurador, representante do governo israelense, no documento encaminhado ao tribunal.
A Associação da Imprensa Estrangeira (FPA, na sigla em Inglês) em Jerusalém, que conta com centenas de associados, recorreu à justiça em 2024, para conseguir entrar em Gaza. Após diversos adiamentos processuais, Israel teve um prazo até o começo desta semana para responder formalmente o pedido da associação. A FPA também já denunciou várias vezes o uso de táticas dilatórias para impedir a entrada de jornalistas no território, afirmando que, assim, estes ficam impedidos de cumprir os seus deveres jornalísticos.
A AFP anunciou nesta terça-feira (06) que apresentará em breve uma forte resposta ao Supremo Tribunal de Israel sobre o pedido de acesso dos jornalistas à Faixa de Gaza. "A Associação de Imprensa Estrangeira confia que o tribunal vai fazer justiça diante da contínua violação dos princípios fundamentais da liberdade de expressão, do direito do público à informação e da liberdade de imprensa", declarou hoje a FPA, que representa os jornalistas que trabalham para a imprensa estrangeira em Israel e nos territórios palestinos.
Os jornalistas estrangeiros têm sido impedidos de entrar livremente em Gaza desde outubro de 2023, quando teve inicio a guerra, sendo somente autorizado, após a análise caso a caso, um conjunto de poucos repórteres para ingressar no enclave palestino acompanhados pelo exército. O Governo de Israel garantiu que, desde outubro de 2025, o exército organizou 25 entradas individuais em Gaza para 47 jornalistas israelenses e cinco entradas em grupo para 46 jornalistas estrangeiros.
Segundo também dados do relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Gaza foi o local mais perigoso para os profissionais de comunicação no mundo, com, pelo menos, 29 jornalistas mortos apenas em 2025.
A Associação Palestina de Jornalistas também solicitou ao Supremo Tribunal Federal, desde 2024, permissão para a entrada dos profissionais em Gaza. Já o tribunal argumentou que a entrada de jornalistas poderia revelar detalhes operacionais dos militares israelenses, incluindo a localização das tropas, colocando os soldados em risco. Entretanto, deixou em aberto a possibilidade de rever a posição caso a situação no terreno se alterasse.
No texto entregue pelo governo israelense ao tribunal, o documentou ressaltou que um refém morto, Ran Gvili, continua na Faixa de Gaza.
Enquanto isso, o corpo de Gvili é o único dos reféns raptados que ainda não foi devolvido, conforme o estipulado na primeira fase do acordo de cessar-fogo. Por outro lado, o Hamas alega que não ter meios para localizá-lo no meio dos escombros de Gaza. O grupo, além disso, tem até final de fevereiro para entregar as armas. Mas, o Hamas ainda tem recusado o desarmamento, defendido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para poder desbloquear a segunda fase do plano de paz na região.