Após captura de Maduro, venezuelanos relatam rotina entre tensão e normalidade
Enquanto operações militares dos EUA atingem pontos estratégicos do país, moradores da capital e do sul do país dizem que a vida cotidiana segue parcialmente normal e que protestar ainda é arriscado
Publicado: 03/01/2026 às 17:36
Pessoas fazem fila do lado de fora de um supermercado em Caracas (Juan BARRETO/AFP)
Após a captura do presidente Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos, moradores de algumas regiões da Venezuela relatam que a vida cotidiana segue parcialmente normal. Armando Fuentes, venezuelano com dupla nacionalidade brasileira que vive no Grande Recife, em Olinda, acompanha os acontecimentos por meio de contato com os pais que ainda moram na Venezuela. Segundo ele, os pais permanecem em casa, em áreas diferentes do país, e relatam situações distintas dependendo da região.
A mãe de Armando vive em Macaracuai, bairro localizado em uma área de Caracas, entre o centro da cidade, onde estão prédios administrativos e regiões próximas ao Palácio de Miraflores, e zonas mais periféricas da capital. A região também fica próxima a áreas militares sensíveis, como o Forte Tiuna e o aeroporto de La Carlota, pontos citados como alvos das operações militares recentes.
Mesmo estando em uma área considerada sensível, Armando relata que a situação na casa da mãe segue estável. “Ela informou que não há nenhum tipo de problemas por lá, ainda tem água, ainda tem luz, pelo menos lá.”
Segundo ele, a diferença entre bairros é visível. “Tem regiões, tem bairros que têm luz e água e tem outros que não. Porque a operação militar dos Estados Unidos foi você deixar o seu inimigo sem nenhum tipo de possibilidade de reação, destruindo pontos militares, água, energia e comunicações.”
A incerteza gerada pelo ataque fez com que longas filas fossem formadas em estabelecimentos comerciais, enquanto a população tenta garantir itens como remédios, combustível e comida.
Armando relatou que, apesar da proximidade com os locais das operações, não houve confrontos diretos na área residencial onde sua mãe mora. “A operação foi especificamente para que não houvesse nenhuma reação do Estado Militar Venezuelano no sentido de oferecer resistência à extração de Maduro e sua esposa de Caracas.”
Sobre a segurança da população, ele contou: “Quem sai na rua a protestar se expõe, claro. O aparelho militar venezuelano ainda está em posse do sistema militar. E quem não sai da sua casa não se expõe.”
O pai de Armando mora no sul da Venezuela, no estado Bolívar, no município de Ciudad Guayana, região próxima à fronteira com o Brasil e que concentra o maior complexo mineral e industrial do país. De lá, o relato é diferente. “Naquela região sul do estado Bolívar não houve movimentações, porque não tem forças armadas dos Estados Unidos em território venezuelano invadindo o país. Até agora não.”
Segundo as informações que Armando recebe, não há uma invasão militar generalizada. “Não há forças armadas dos Estados Unidos em território venezuelano se degladiando com as forças nacionais. O que houve foi um bombardeio específico a pontos militares e a extração de Nicolás Maduro e sua esposa.”
Ele afirma que o espaço aéreo e marítimo venezuelano permanece sob controle externo. “Todo o mar Caribe e o espaço aéreo venezuelano estão fechados por aeronaves dos Estados Unidos e por embarcações. Se houver algum adentramento das forças militares, todo mundo vai saber.”
Ao falar sobre o futuro, Armando destacou o desejo do fim do atual sistema de governo. “Que a Venezuela volte a ser um país democrático. Que o venezuelano volte a ser feliz como era, que trabalhe, compre sua casa, seu carro, planeje sua viagem, reclame do governo se quiser, sem medo de ser perseguido, preso ou morto.”