resposta #OrgulhodoNordeste: reações a Bolsonaro que chamou governadores do Nordeste de 'paraíba'

Por: Estado de Minas

Publicado em: 20/07/2019 15:31 Atualizado em:

Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP
A fala do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em tom pejorativo, se referindo a governadores da Região Nordeste do país, como “paraíbas” fez o assunto ser o mais comentado no Twitter. Neste sábado a hastag – termo usado para se referir aos tópicos mais comentados no Twitter -, #OrgulhodoNordeste foi a mais comentada. 

Os comentários, em sua maioria, rechaçavam a declaração e ainda faziam homenagens aos estados localizados na região. O tom político também esteve presente, já que Bolsonaro teve menos votos nesta porção do país.

“'Paraíbas', Sergipanos, Baianos, Potiguares, Maranhenses, Cearenses, Piauienses, Pernambucanos, Alagoanos. Tenham sempre Orgulho de onde são ou de onde vieram, o verdadeiro Brasil precisa muito de vcs!”, postou uma internauta.

Já outro lembrou do histórico familiar de superação e também de formação acadêmica. “Meu avô era Paraibano. Superou febre tifoide na infância, bacharel pela FDR (UFPE), passou num concurso para o RJ. Casou-se, teve filhos e combateu o bom combate. Defendeu trabalhador, foi preso na ditadura. Ser nordestino é um sentimento diante da vida. #OrgulhoDoNordeste”, comentou. 

A fala de Bolsonaro ocorreu nessa sexta-feira. O presidente se preparava para conversar com jornalistas, durante café da manhã no Palácio do Planalto, e aparentemente não sabia que o microfone que usava para que a conversa fosse transmitida pela internet já captava áudio.

Foi possível ouvir o presidente dizendo ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni: “Daqueles governadores de 'Paraíba', o pior é do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, disse Bolsonaro. Depois de um trecho incompreensível, Bolsonaro ainda usou a expressão “picaretas”.

Ainda nessa sexta-feira, os governadores dos estados localizados no Nordeste reagiram. Em carta conjunta, eles demonstraram indignação com o tom da declaração e ainda pediram que a Presidência esclarecesse o ocorrido.

Citado nominalmente, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), usou o Twitter para se indignar e rechaçar a ideia de ele poderia ter recursos cortados por ter ideias contrárias. 

Independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação. Seja o Maranhão ou a Paraíba ou qualquer outro Estado. 'Não tem que ter nada para esse cara' é uma orientação administrativa gravemente ilegal", escreveu.

O governador, depois, acrescentou: "Como conheço a Constituição e as leis do Brasil, irei continuar a dialogar respeitosamente com as autoridades do Governo Federal e a colaborar administrativamente no que for possível. Eu respeito os princípios da legalidade e impessoalidade (art 37 da Constituição)"


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