Beto Lago: 'Um empate com a marca do seu treinador'
O empate expõe as limitações do treinador e o fracasso da diretoria de futebol na montagem e na condução do elenco
Fracasso repetido
Vencer era obrigação. Mais do que os três pontos, o Sport precisava dar uma resposta e provar que ainda tem condições de brigar pelo acesso. Em vez disso, empatou com o Cuiabá, na Ilha do Retiro. O 11º empate nesta Série B. Um retrato da mediocridade de uma campanha que insiste em frustrar o torcedor.
O Sport tem a cara do seu treinador. Gilmar Dal Pozzo comanda um time sem identidade, previsível e cada vez mais burocrático. Suas insistências custam caro. O excesso de cautela – ou o medo de se expor – transforma uma equipe que deveria ser dominante em um time incapaz de pressionar o adversário dentro da própria casa. Falta leitura de jogo, coragem para mudar e entendimento do que representa vestir a camisa rubro-negra na Ilha do Retiro. Dal Pozzo só recorreu a Diego Hernández depois de ouvir os gritos de "burro" das arquibancadas.
O gol de Perotti, no início do segundo tempo, parecia abrir o caminho da vitória, mas bastou o Sport ficar em vantagem para surgir a marca registrada do treinador: recuar as linhas, chamar o adversário e jogar para não perder. Quem atua assim acaba sendo castigado. E foi o que aconteceu. Nos minutos finais, o Sport virou um amontoado em campo. Sem organização, sem repertório e sem qualquer ideia coletiva.
O empate expõe as limitações do treinador e o fracasso da diretoria de futebol na montagem e na condução do elenco. Agora são 12 dias até o próximo compromisso. Tempo suficiente para a reformulação que o torcedor exige. Se ela não vier, o acesso continuará sendo apenas um discurso vazio.
A venda do volante Zé Lucas está longe de deixar o Sport "aliviado financeiramente" até o fim da temporada. Além da folha salarial do futebol e dos funcionários, o clube precisa honrar os compromissos da Recuperação Judicial, da Câmara Nacional de Resolução de Disputas, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, além de impostos e da chamada folha extra, citada pelos dirigentes. O alívio existe, mas a realidade financeira segue exigindo muito equilíbrio.
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A conta ainda não fecha
Vale lembrar que o planejamento de 2026 já previa um déficit de R$ 58 milhões, considerando os R$ 72 milhões negativos em faturas e compromissos vencidos herdados da gestão anterior. Apesar das receitas previstas, dos acordos firmados e da redução de parte das dívidas, o Sport ainda precisa gerar cerca de R$ 30 milhões adicionais. Por isso, a venda de outro jogador não está descartada. Vira uma solução.
Ainda há margem para crescer
Apesar da necessidade de novas receitas, há fatores que ainda podem melhorar o cenário financeiro do Sport. A negociação de Zé Lucas prevê gatilhos que podem aumentar o valor da operação ao longo do tempo. Além disso, se o volante se destacar novas propostas do exterior podem surgir, ampliando o retorno financeiro para o Leão – que possui 20% do volante. Outro ativo importante são os 35% dos direitos econômicos de Murilo Rhikman, recebidos na negociação. Ainda assim, o acesso à Série A segue como uma missão obrigatória para consolidar a recuperação financeira do Leão.