Vice jurídico do Sport revela operação financeira entre a Liga Forte e a empresa do ex-presidente Yuri Romão
Sport apura destino de R$ 5 milhões da LFU em operação realizada na gestão Yuri Romão
O presidente do Sport, Matheus Souto Maior, relembrou o cenário encontrado após assumir o clube, em janeiro deste ano, após a eleição suplementar realizada em decorrência da renúncia do ex-presidente Yuri Romão. Segundo o dirigente, durante entrevista à Rádio Jornal, o Leão tinha apenas R$ 47 mil em caixa, enquanto o custo mensal do departamento de futebol girava em torno de R$ 12 milhões.
Além disso, Matheus afirmou que o clube aguardava o recebimento de aproximadamente R$ 5 milhões referentes à Liga Forte União (FFU), valor que seria essencial para o início da nova administração. No entanto, o recurso nunca chegou aos cofres rubro-negros, situação que passou a ser investigada pelo departamento jurídico.
A equipe de reportagem do DP Esportes entrou em contato com a assessoria do ex-presidente Yuri Romão para obter um posicionamento sobre o caso. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. Caso a defesa se manifeste, o texto será atualizado.
Operação envolvia antecipação de receitas da FFU
O vice-presidente jurídico do Sport, Lucas Leite, explicou que, em 2025, o clube realizou uma operação de crédito utilizando como garantia os valores que receberia da Liga Forte União.
"Basicamente, no ano passado, o Sport fez uma operação de crédito. O clube tomou dinheiro no mercado por meio de uma emissão de debêntures, lastreada nos recebíveis que teria da Liga Forte União. Foi firmado um acordo com a instituição financeira para que todo o dinheiro recebido da Liga não fosse destinado diretamente ao Sport, mas sim à instituição responsável pela operação, que faria os pagamentos necessários e repassaria o saldo ao clube."
Segundo Lucas, a operação foi estruturada pela empresa Opea, especializada em securitização de crédito, que colocou esses títulos no mercado para fundos de investimento. Um dos principais compradores teria sido o fundo Neowise.
"A Opea organizou a operação e lançou esses papéis no mercado. Os fundos de investimento compraram esses títulos. A securitizadora pagava quem precisava ser pago e, somente depois disso, o saldo era repassado ao Sport."
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Clube afirma que dinheiro foi desviado para empresa ligada ao ex-presidente
De acordo com o dirigente, a expectativa era de que o Sport recebesse cerca de R$ 14 milhões na parcela final da LFU. Entretanto, por causa dos critérios de distribuição — como desempenho esportivo e audiência — o valor caiu para aproximadamente R$ 5 milhões.
Lucas Leite afirma que, após a eleição da nova diretoria, foi informado de que o dinheiro ainda não havia sido creditado ao clube. Dias depois, descobriu-se que houve uma movimentação bancária envolvendo esse recurso.
"No dia 15 vencemos a eleição e, no dia seguinte, fui procurado pelo profissional que fazia o financeiro do clube. Ele informou que o dinheiro da Liga não havia entrado. Acionamos o departamento jurídico e descobrimos que havia um bloqueio operacional na conta do Sport. Existia um crédito de aproximadamente R$ 5 milhões, que sequer deveria passar pela conta do clube por causa da carta-trava da operação. Logo em seguida houve um débito exatamente desse valor. O dinheiro entrou e saiu para uma empresa chamada Múltipla, cujo sócio-administrador era o ex-presidente do Sport."
Segundo Lucas, o banco informou que o valor teria sido utilizado para quitar um mútuo firmado entre o Sport e essa empresa.
"O banco apresentou documentos informando que essa parcela da Liga havia sido dada como garantia de uma operação de mútuo feita pela empresa Múltipla para o Sport. A justificativa era de que, como o clube estava em recuperação judicial, o empréstimo teria sido realizado por intermédio da empresa. Quando o dinheiro da Liga entrasse, serviria para quitar essa dívida. Mas quem fez essa movimentação não foi o Sport. Foi o banco."
Caso está sendo investigado
O vice-presidente jurídico afirmou que o Sport questiona a validade dos documentos apresentados pela instituição financeira, especialmente pelo fato de o contrato ter sido assinado pela mesma pessoa representando tanto o clube quanto a empresa envolvida.
"Inicialmente, o documento era físico, sem reconhecimento de firma, o que impossibilitava confirmar quando havia sido assinado. Depois, o banco apresentou uma ratificação eletrônica desse contrato. O processo está sendo analisado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pelo Banco Central e também estamos nos preparando para levar o caso à Justiça comum."
Auditoria seguirá investigando
Questionado se a diretoria acredita que houve má-fé na condução da operação, o presidente Matheus Souto Maior evitou antecipar conclusões.
"Não posso responder sobre isso. Quem vai mostrar é a auditoria."
Lucas Leite reforçou que o caso permanece sob investigação.
"Estamos com uma investigação em curso."