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Futebol e saúde: projeto garante acesso à cannabis medicinal para torcedores autistas

Aliança Medicinal lança projeto de cannabis gratuita para torcedores autistas de Náutico, Sport e Santa Cruz

Por Paulo Mota

Engenheiro agrônomo e diretor executivo da Aliança Medicinal, Ricardo Hazin Asfora

Unir a paixão pelo futebol pernambucano ao direito à saúde e à inclusão social nas arquibancadas. É com esse propósito que a Aliança Medicinal, pioneira na produção de cannabis medicinal do Brasil, celebra seus cinco anos de fundação na próxima segunda-feira (13), às 10h, com o lançamento de uma iniciativa que garantirá tratamento gratuito à base de cannabis e acompanhamento médico para integrantes autistas de Náutico, Sport e Santa Cruz.

O principal objetivo da iniciativa é ampliar o acesso ao uso terapêutico da cannabis medicinal para famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que não possuem condições financeiras de arcar com os custos, promovendo mais qualidade de vida, bem-estar e inclusão nas arquibancadas.

Inclusão nas arquibancadas e qualidade de vida
Nesta fase inicial, o projeto vai atender nove participantes, sendo três representantes selecionados por cada uma das torcidas organizadas inclusivas envolvidas: Autistas do Arruda (Santa Cruz), Autista da Ilha (Sport) e Timbu Neuro (Náutico).

Segundo o engenheiro agrônomo e diretor executivo da Aliança Medicinal, Ricardo Hazin Asfora, o processo de triagem já foi concluído. Os pacientes passaram por consultas, tiveram os laudos médicos validados e a documentação necessária aprovada. A primeira entrega dos medicamentos acontecerá no evento de lançamento, na segunda-feira.

O momento do futebol, impulsionado pela atmosfera de grandes competições como a Copa do Mundo, foi o estopim para a criação do projeto. O objetivo é dar autonomia para que esses torcedores possam frequentar os jogos de forma mais confortável.

"Como estamos nessa época do futebol em alta com a Copa do Mundo, decidimos transformar esse projeto. A gente vai iniciar fazendo esse lançamento, já fizemos alguns tratamentos com algumas famílias, porque conseguimos dar essa gratuidade. Já temos toda a documentação de quem pode receber essa medicação, todo o cadastro do laudo médico, e na segunda-feira vamos fazer a primeira entrega", explicou Ricardo Hazin Asfora.

O diretor executivo pontuou ainda o impacto social direto esperado na rotina dessas famílias. "A partir do início desse tratamento, a gente espera que eles fiquem mais equilibrados, que tenham uma condição maior de acompanhar o futebol e fazer mais parte do ambiente esportivo. É sobre qualidade de vida para pessoas que precisam dessa inclusão", destacou.

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Inclusão une rivais 
Eduardo Pedrosa, fundador e presidente da Autista da Ilha, representante das três torcidas atípicas do Trio de Ferro de Pernambuco e integrante da Arquibancada Autista Nacional, movimento que reúne 30 torcidas pelo país, destacou a importância da iniciativa voltada à inclusão. Segundo ele, o projeto representa um avanço na construção de ambientes mais acessíveis e acolhedores no futebol e na sociedade.

“Foi uma honra sermos agraciados com esse projeto, que reúne as três torcidas atípicas do Trio de Ferro de Pernambuco. As três torcidas buscam a inclusão dentro e fora dos estádios. Essa iniciativa tem tudo a ver com a nossa visão, missão e valores, unindo inclusão, saúde e futebol. A rivalidade fica apenas dentro de campo; a inclusão precisa estar presente em todos os espaços da sociedade”, afirmou.

Combate ao preconceito e alternativa terapêutica

A escolha pela cannabis medicinal se baseia na busca por alternativas menos agressivas em comparação aos medicamentos tradicionais. Como o autismo não tem cura, o foco médico é o manejo de sintomas (como ansiedade e crises de sobrecarga sensorial) para diminuir o nível de suporte e estimular a funcionalidade dos pacientes.

Ricardo Hazin reforçou a importância de combater o estigma social e os impactos clínicos das medicações convencionais.

"O autismo hoje não tem cura. É sobre como você vai conseguir manejar ele para que ele melhore o nível de suporte dele. Então, as drogas tradicionais, que utilizam da administração do autismo, muitas vezes trazem efeitos colaterais muito danosos a longo prazo. Com a cannabis a gente não tem efeitos colaterais significativos, na verdade, os efeitos colaterais se usa para benefício", ponderou.

Convocação para o meio do futebol
Atualmente, a Aliança Medicinal financia o projeto por meio de um percentual de cota de gratuidade de sua própria produção. No entanto, a ação nasce com viés de expansão e projeta o envolvimento direto dos clubes e de personagens do esporte local.

O diretor executivo detalhou que a associação disponibilizou uma fatia de sua capacidade para a gratuidade, mas que o projeto está aberto para novos investidores. O objetivo é que a Aliança das Torcidas sirva de vitrine para que novos torcedores sejam "adotados".

A associação faz um chamado para que jogadores, empresários, investidores e os próprios presidentes de Náutico, Sport e Santa Cruz possam apadrinhar novas famílias, ampliando o número de beneficiados pelo tratamento em Pernambuco.