Beto Lago: 'Até breve, meu amigo!'
Bertini pertence a uma categoria ainda mais rara: a daqueles que ajudam a construir quem somos
Adeus, amigo!
Hoje eu tinha outra pauta. Já havia preparado um texto sobre a nova Lei 15.421/26, que estabelece as regras para a realização da Copa do Mundo Feminino no Brasil. Um tema importante, que certamente mereceria reflexão. Mas a vida, às vezes, interrompe nossos planos de forma abrupta. E foi exatamente isso que aconteceu quando recebi a notícia da partida de Alfredo Bertini. Há pessoas que passam por nossas vidas deixando lembranças. Outras deixam marcas. Bertini pertence a uma categoria ainda mais rara: a daqueles que ajudam a construir quem somos.
Os dois formavam uma dessas duplas que parecem ter sido desenhadas para caminhar juntas. Compartilhavam a mesma energia, a mesma capacidade de acreditar e de transformar ideias em ações concretas. Tive o privilégio de trabalhar ao lado de Bertini em diferentes momentos. Fui seu chefe de gabinete no Ministério da Cultura e na Fundação Joaquim Nabuco. Compartilhamos projetos, desafios e responsabilidades. Mas, acima dos cargos e das funções, compartilhamos amizade.
E é justamente dessa amizade que mais me lembro agora. Bertini tinha uma qualidade cada vez mais rara: sabia ouvir. Quando eu chegava com preocupações, dificuldades ou problemas, encontrava nele uma voz serena. Não era alguém que alimentava conflitos ou ampliava divergências. Pelo contrário.
Sua primeira reação era buscar a conciliação, construir pontes e encontrar caminhos. Ele compreendia que quase tudo na vida pode ser resolvido por meio do diálogo. Sua presença transmitia equilíbrio. Sua palavra trazia conforto. Sua amizade oferecia segurança. Também acompanhava com entusiasmo cada edição do Cine PE. Via naquele festival muito mais do que um evento cultural. Via a realização de um sonho construído com amor, dedicação e persistência. Vibrava a cada conquista porque entendia o valor de quem sonha e trabalha para transformar sonhos em realidade.
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Hoje, enquanto tantas homenagens são feitas, penso que talvez o maior legado de Alfredo Bertini não esteja apenas nos cargos que ocupou, nos projetos que liderou ou nas instituições pelas quais passou. Seu maior legado está nas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele. Está nos amigos que receberam um conselho no momento certo.
Nos colegas que encontraram apoio quando precisavam. Nos que aprenderam, através de seu exemplo, que firmeza não exige agressividade e que liderança não precisa ser confundida com autoritarismo. A partida de Bertini deixa um vazio difícil de explicar. Mas deixa também uma imensa gratidão.
Gratidão pelos ensinamentos, pelas conversas, pelas risadas, pelos projetos compartilhados e, sobretudo, pela amizade verdadeira. Hoje o mundo fica um pouco mais silencioso. Mas a memória de Alfredo Bertini continuará falando através de todos nós que tivemos a honra de caminhar ao seu lado.
Até breve, meu amigo. E obrigado por tudo.