Beto Lago: 'Uma Seleção que se recusa a desistir'
Há algo que não pode ser ignorado: a capacidade de competir até o último minuto
Raça premiada
Foi no sofrimento. De virada. Com o gol da classificação nos acréscimos. A Seleção Brasileira garantiu vaga na próxima fase muito mais pela insistência do que pelo brilho técnico. Não foi uma atuação encantadora, mas foi uma demonstração de que este time, mesmo longe do ideal, se recusa a desistir. Os números mostram isso: 70% de posse de bola, finalizou 19 vezes contra cinco do Japão, sendo 12 chutes dentro da área, e trocou 682 passes, o dobro do adversário.
Mas a estatística esbarrou em uma seleção japonesa organizada, disciplinada e preparada para defender. O plano oriental era claro: suportar a pressão e esperar um único erro. E veio em uma falha de Danilo e Casemiro que resultou no gol japonês. Na volta do intervalo, Lucas Paquetá, lesionado e sem boa atuação, deu lugar a Endrick. Muitos esperavam também a saída de Casemiro, que fazia mais uma partida contestada. Carlo Ancelotti bancou um de seus homens de confiança. E foi dele, de cabeça, o gol que recolocou o Brasil no jogo. Vini Júnior esteve perto da virada em uma jogada brilhante, mas a trave impediu. O treinador surpreendeu mais uma vez. Enquanto boa parte pedia Luiz Henrique ou até Neymar, o italiano apostou em Martinelli. E a escolha foi decisiva.
Após um belo passe de Bruno Guimarães, o atacante marcou o gol da vitória e da classificação. Sorte? Estrela? Competência? Talvez tenha sido um pouco de tudo. O fato é que Ancelotti mostrou personalidade para sustentar suas convicções, mesmo sob pressão. O Brasil está distante de apresentar um futebol envolvente e tecnicamente dominante.
Há dificuldades na criação, oscilações individuais e momentos de pouca inspiração. Mas há algo que não pode ser ignorado: a capacidade de competir até o último minuto. Quando a qualidade não aparece, a equipe encontra outros caminhos. E, em torneios eliminatórios, essa característica costuma valer tanto quanto um grande espetáculo.
Enquanto o torcedor aguardava o duelo da Seleção Brasileira, a diretoria do Sport se movimentava para demitir Márcio Goiano. Os quatro empates consecutivos não foram um acidente de percurso. São apenas o retrato de um Sport que, desde o início da temporada, não consegue apresentar um futebol convincente.
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Sinais eram claros
Roger Silva e Márcio Goiano, com estilos bem diferentes, fracassaram na missão de dar identidade ao time. Mudaram os nomes, mas seguiram os mesmos problemas. A permanência de Márcio por tanto tempo foi um erro. Os sinais de desgaste e de estagnação eram evidentes, mas foram ignorados. Quando o clube decidiu agir, o prejuízo esportivo já estava consolidado.
Resgatar a força da camisa e da Ilha
Não basta contratar mais um treinador. O Sport precisa encontrar um técnico capaz de devolver à equipe uma ideia de jogo, competitividade e, sobretudo, resgatar a força da camisa rubro-negra. A Ilha do Retiro sempre foi um ambiente de pressão para os adversários e de confiança para o Sport. Esse espírito vencedor se perdeu. Recuperá-lo passa a ser a principal missão do clube para evitar que a temporada siga pelo caminho da frustração.