Entre a pechincha e o sonho: a saga dos pernambucanos na Copa do Mundo
Sotaque pernambucano nos EUA: a saga dos torcedores que cruzam as sedes da Copa atrás da Seleção Brasileira
A mística que envolve a busca pelo hexacampeonato da Seleção Brasileira nos Estados Unidos ganhou sotaque pernambucano. Para além das fronteiras e das distâncias continentais entre as sedes norte-americanas, torcedores de Pernambuco transformaram o sonho de acompanhar o Mundial em realidade.
Entre o planejamento antecipado, o desafio dos ingressos inflacionados e o orgulho de carregar as cores do estado, as histórias de Thiago Tavares "Chacota", Raul Erlich "Paixão Coral" e Gilvando Tenório "Detonante" se cruzam na arquibancada e mostram que a paixão pelo futebol supera qualquer barreira.
Se o desempenho em campo é o foco das atenções, o primeiro grande adversário dos torcedores brasileiros nesta Copa jogou na mesa da burocracia. O processo de obtenção do visto americano tornou-se um drama nacional, com relatos frequentes de vistos negados e sonhos interrompidos nas embaixadas e consulados. Para o trio de pernambucanos, no entanto, a tranquilidade burocrática foi o passe livre para a América: todos eles já tinham o documento garantido antes do torneio.
"A questão do visto eu vi muita gente sendo negado. O Estados Unidos negou a entrada de muitos brasileiros, infelizmente. Isso deve ser muito triste, porque ter um sonho interrompido por conta de um visto não tem como não ser triste. Eu já tinha meu visto, então pra mim foi mais fácil", relatou Thiago.
O sentimento de alívio é partilhado por Raul, que destacou como o documento prévio clareou os caminhos da logística. "Eu já tinha visto, o que deixou um pouco mais fácil. É um país que tem muito brasileiro e facilita essa comunicação de energia e torcida", pontuou.
Já para o veterano Vando Detonante, que carimba seu passaporte pela quinta vez em Copas do Mundo, a burocracia foi apenas uma formalidade de rotina: "Já tinha visto, já tinha vindo nos Estados Unidos, só fui renovar. Então, foi tranquilo".
A inflação da FIFA e a maratona das sedes
Passada a barreira do consulado, o desafio real passou a ser o bolso. A Copa do Mundo 2026 tem se destacado pelos custos elevados de deslocamento e pelo preço salgado dos bilhetes oficiais, forçando os torcedores a adotarem estratégias distintas de sobrevivência financeira.
A estratégia do planejamento de Raul
Com uma programação severa, Raul desenhou um roteiro de jornada para seguir os passos da Amarelinha - com objetivo de acompanhar todos os jogos até a tão sonhada final, cruzando o país desde a estreia em Nova York, passando por Filadélfia, até o embate contra a Escócia, em Miami.
"A questão dos ingressos consegui comprar de forma antecipada, principalmente os do Brasil da fase inicial. O preço médio dos ingressos está entre 1.000 e 2.000 dólares por setor, e a tendência agora é ficar mais caro. A dica para quem quer acompanhar é se programar, economizar e focar no sonho", alertou Raul.
A tática do "chororo" de Vando Detonauta
Viajando em um grupo de quatro pessoas, que inclui seu filho e familiares, Vando desembarcou em solo americano sem a certeza das entradas, confiando na rede de contatos e na tradicional pechincha brasileira para driblar o que chama de superfaturamento da entidade máxima do futebol.
"Nós encontramos preço justo nas passagens porque fizemos um planejamento antes. Mas os ingressos estão muito caros. Ganhei o do primeiro jogo. O contra o Haiti estava mais tranquilo, agora contra a Escócia está mais difícil pela grande procura. O problema foi que a Fifa superfaturou os valores. Eu sou o cara sincero: procuro as melhores oportunidades, meu dinheiro não é muito, então tem que dar uma pechinchada, um chororo", confessou Vando.
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Pernambuco na arquibancada
A distância geográfica não enfraqueceu o orgulho que os torcedores sentem pelo futebol de seu estado. Longe de Pernambuco, as bandeiras dos clubes locais ou do Estado viraram ferramentas de identificação e pontos de encontro para a colônia nordestina nos EUA.
O manto coral virou símbolo do torcedor nas ruas e estádios nos Estados Unidos. "A gente tenta levar, mostrar para o mundo. Inclusive, fizemos pontos de encontro nesses locais no último jogo", explicou.
Vando Detonante, natural de Garanhuns e torcedor fervoroso do Sport, se surpreendeu com a forte presença da região nos estádios americanos. "Eu amo minha cidade, amo meu estado, trouxe a bandeira. Encontrei muita gente de Pernambuco e do Nordeste. Muita gente também com a camisa do Sport, e um pouco menos de Náutico e Santa Cruz. É uma festa linda", concluiu o torcedor de Garanhuns.