Há 53 anos: O Santa Cruz de Ramón vence o Santos de Pelé no Arruda
Em um 7 de outubro como esta quarta-feira, o Santa Cruz contou com o seu artilheiro Ramón para bater o Santos de Pelé por 3 a 2, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro de 1973
Publicado: 07/10/2026 às 07:14
Pelé cercado por jogadores do Santa, que venceu por 3 a 2 (ACERVO DP)
“Quem foi ver Pelé no Arruda terminou vibrando com Ramon” foi o título de uma das matérias da página 1 do Segundo Caderno da edição do dia 8 de outubro de 1973 do Diario de Pernambuco e um breve resumo do que significou a partida Santa Cruz 3 a 2 Santos, válida pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Vencer o Santos de Pelé era como um troféu à parte nos anos 1960, em especial, e no início da década de 1970, para quem não torcia pelos outros esquadrões nacionais da época, como Botafogo, Palmeiras e Cruzeiro.
O trio conseguia competir com o temido alvinegro da Vila Belmiro e, eventualmente, levar alguma vantagem nas competições disputadas.
Naquele início da década de 1970, o Santos já dava sinais de oscilação, não conseguia ser tão constantemente arrasador quanto foi ao longo dos anos 1960. E alguns bons times aproveitaram para tirar uma “lasquinha” do Peixe.
Mesmo assim, o time praiano trouxe para o jogo com o Santa Cruz uma escalação com, além do inigualável Camisa 10, outros três tricampeões mundiais com a seleção brasileira em 1970.
O capitão de Zagallo no México, Carlos Alberto Torres, atuando como zagueiro, e o volante Clodoaldo, titularíssimos na campanha do tri, além do ponta esquerda Edu, um reserva de luxo.
Sem falar de nomes como o do goleiro argentino Cejas, o meio-campista Brecha e o meia-atacante Mazinho, que viria a ser um dos ídolos do próprio Santa Cruz, semifinalista do Brasileiro dois anos depois. No comando do time estava Pepe, o ex-ponta canhoto apelidado de “O Canhão da Vila”.
Naquele Nacional, o Peixe havia começado bastante irregular, mas começava a dar sinais de evolução. Na semana anterior, havia estado no mesmo Arruda, também lotado, para encarar o Náutico: 3 a 0 com show do ponta Edu, autor de dois gols, e da jovem promessa Eusébio, em passe de Pelé.
O jogo
“Quem foi ao jogo tinha a certeza de que ia presenciar um massacre dos paulistas nos pernambucanos. Os nomes em evidencia eram Pelé, Edu, etc. Terminado o encontro os ovacionados foram Ramon, Erb, Luciano, Givanildo & Cia”, descreveu Adonias Moura, por mais de três décadas editor de Esportes do Diario.
O começo do Santa Cruz foi arrasador. Aos 12 minutos, Ramón abre o placar, logo ampliado, aos 22, por Luciano, cobrando pênalti. Aos 8 do segundo tempo, Ramón crava 3 a 0 para o então pentacampeão pernambucano.
Os quase 40 mil presentes que lotaram o Arruda (ainda sem a ampliação) foram à loucura com uma atuação quase perfeita dos comandados de Paulo Emílio.
“O azar do Santos, ontem, foi encontrar um Santa Cruz nos seus melhores dias, um quadro nortista que sabe jogar futebol cadenciado e que, ultimamente, só se atrapalha quando enfrenta a correria dos demais clubes da região”, relatou o texto do Diario.
Mas a vitória, que começava a parecer fácil pelo largo placar, virou dramática. Afinal, era o Santos de Pelé, que, assustado com o que via acontecer no campo, acordou e foi buscar a reação.
“Quando sentiram que não haveria moleza os paulistas trataram de brigar, superar as próprias forças, e era fácil verificar, vendo Pelé correr no gramado atrás de um Botinha, até derrubá-lo: o mesmo Rei lutar como um menino recém-promovido ao quadro, no sentido de amenizar a contagem, o que terminou conseguindo, inclusive com um belo gol”, contou Adonias Moura.
O gol de Pelé aconteceu aos 42. Antes, aos 38, Brecha havia feito o primeiro. Quem esteve no Arruda naquela tarde de domingo garante que, se o jogo tivesse mais cinco minutos, os santistas teriam pelo menos empatado.
“A vitória dos pernambucanos ocorreu numa das melhores partidas disputadas entre nós nos últimos anos e, possivelmente, das melhores do atual certame nacional. Isso porque tanto Santa Cruz como Santos procuram jogar futebol”, exaltou o texto da partida.
Ramón
O nome de Ramón foi levado em coro pela torcida do Santa e exaltado pelo adversário. A matéria com o vestiário santista trouxe depoimentos de Pepe sobre o craque coral, destacando a possibilidade dele chegar à seleção brasileira pelo que vinha apresentando na competição.
Ramón não chegou à seleção, mas ainda naquele Campeonato Brasileiro faria história.
Os dois gols no Peixe o ajudaram a se tornar o maior artilheiro da competição nacional na temporada de 1973. Foram 21 no total, um a mais que Leivinha, do Palmeiras, e Mirandinha, do São Paulo, e três além do que o Rei Pelé marcou.
Até hoje, Ramón é o único pernambucano goleador de um campeonato brasileiro atuando por uma equipe do estado (em 2025, o olindense Kaio Jorge foi artilheiro da Série A, mas defendendo a camisa do Cruzeiro).
DETALHES
(Ficha técnica do jogo publicada na edição do Diario no dia 8/10/1973)
Santa Cruz 3 x Santos 2 — Local: Colosso do Arruda — Renda: Cr$ 274.880,00 — Público: 39.917 — Tentos: Ramon (2) e Luciano, para o Santa, Brecha e Pelé, para o Santos - Juiz: José Marçal Filho.
EQUIPES: Santa Cruz — Gilberto; Gena, Rivaldo, Paulo Ricardo e Botinha; Givanildo, Erb e Luciano; Wilton, Ramon e Fernando Santana (Zé Maria). Santos — Cejas; Hermes, Carlos Alberto, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo, Léo (Brecha) e Pelé; Mazinho, Eusébio (Cláudio Adão) e Edu.