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Quem era Brasão? Atacante assassinado marcou época no Santa Cruz

Raça, irreverência e o milagre do Engenhão: A eterna e intensa passagem de Brasão pelo Arruda

Por Paulo Mota

Brasão, atacante do Santa Cruz

No futebol moderno, é raro ver um jogador construir o status de xodó de uma torcida de massa em poucas partidas. Mas Ivan Fiel da Silva, o Brasão, não era um jogador comum. O centroavante, que teve uma passagem curta e intensa pelo Recife em 2010, tornou-se o símbolo de uma era de raça no Arruda.

A notícia de seu falecimento precoce, ocorrido em um trágico duplo homicídio na cidade de Tubarão (SC), reascendeu na torcida coral as memórias de um dos personagens mais carismáticos que já vestiram a camisa tricolor. Mas quem era, afinal, esse atleta que deixou tanta saudade?

Raça e irreverência em tempos ruins
Brasão desembarcou no Santa Cruz em 2010 sob um cenário de extrema pressão. O clube amargava o pior momento de sua história, sem divisão garantida no cenário nacional e precisando disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. O elenco precisava de respostas imediatas e, acima de tudo, de jogadores que entendessem o peso daquela camisa no momento de crise.

Tecnicamente, Brasão não era um primor. Ele próprio sabia disso, e a torcida também. Porém, compensava a falta de refino com uma entrega absurda: corria o campo inteiro, trombava com os zagueiros, marcava a saída de bola e jogava com a alma.

Além da dedicação, sua irreverência fora de campo cativou o Recife. Brasão adorava provocar os adversários e protagonizou uma rivalidade histórica e cheia de provocações com Carlinhos Bala nas finais e semifinais daquele Campeonato Pernambucano, devolvendo a provocação folclórica ao futebol local.

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O Milagre do Engenhão e os números no Arruda

Embora sua passagem tenha durado pouco tempo, os números de Brasão foram expressivos. Segundo dados do o gool, ele vestiu a camisa coral em 18 jogos oficiais e balançou as redes 10 vezes, participando ativamente do Campeonato Pernambucano, da Copa do Brasil e da Série D, além de se sagrar campeão da Copa Pernambuco daquele ano.

O ápice de sua trajetória com o Santa Cruz aconteceu no dia 1º de abril de 2010, na segunda fase da Copa do Brasil. Após perder por 1 a 0 no Arruda para o badalado Botafogo-RJ, o Tricolor precisava de um milagre no Rio de Janeiro: vencer por dois gols de diferença ou por um gol de vantagem a partir de 2 a 1.

Em pleno Estádio Nilton Santos (Engenhão), o Santa Cruz, então um clube da quarta divisão, bateu o Alvinegro da Série A por 3 a 2, com um gol heroico aos 44 minutos do segundo tempo. Brasão foi o grande pilar de sustentação daquela equipe, incomodando a defesa carioca e liderando o time na base da raça. Ele também marcou época ao liderar o setor ofensivo na emblemática vitória por 4 a 2 sobre o rival Náutico.

A carreira além do Nordeste e o adeus precoce
Natural de São Paulo, Brasão rodou o Brasil. Teve experiências em camisas tradicionais como Athletico-PR, Atlético Goianiense, Treze, Brasil de Pelotas e Vitória da Conquista. No entanto, foi no futebol catarinense que ele construiu a base sólida de sua carreira, defendendo clubes como o Tubarão, Inter de Lages, Camboriú, Atlético de Ibirama e Concórdia.

Após a confirmação de sua morte em Santa Catarina, o Santa Cruz utilizou as redes sociais para prestar uma última e justa homenagem ao ex-atacante, buscando eternizar sua relevância histórica.